O nome é majestoso MONU monumental; e, UVA, delicado, ma non tropo. Monuva sigla ambivalente que tem em seu âmago o sentimento de persistência e amor ao próximo. Acrônimo de um movimento de quase cinco séculos de América e mais de 5 mil anos de luta pela liberdade. Monuva representa 14 mil anos de humanidade. É um movimento onde palavras e letras estão sendo construídos já se vão mais de três décadas em Uberlândia. Monuva é sorriso largo, sincero, alegro, potente, que neste momento quer viver mais que uma História.

Na bela ópera "A Flauta Mágica" de Mozart, existe uma frase forte, dita pela personagem Sarastro: "mais que um príncipe, é uma pessoa", diz ele. Ela é dita quando o valor da pessoa de Tamino, o protagonista da história, é questionado. A lembrança dessas palavras é para saber a quantos queiram, que quer seja quem for o timoneiro desse novo tempo para o Monuva, este é apenas uma pessoa. Mas é, e será, alguém com um dom especial. Em um vencedor a vontade nunca é maior do que o caráter.

Essa ópera mostra a filosofia do que foi o iluminismo para a humanidade. Nela são explicitas os conceitos de liberdade, igualdade e fraternidade da Revolução Francesa, em suas arias. E são esses conceitos ainda necessários propagandistas da vida plena, livre e democrática que devem ser a luz que guia os homens. Fato que traz os argumentos da História que cada ser humano contribui para marcar o tempo.

Movimento Negro Uberlandense Visão Aberta (Monuva). Que poderia ser Monuva Ismael Marques; Monuva Sabará; Monuva Conceição Leal; Monuva Capela, e tantos outros nomes, de negros ilustres e importantes para a História de Uberlândia, que no dia 29 de setembro de 1984, plantaram essa semente que hoje é uma árvore que merece receber ainda mais atenção e cuidados.

Hoje o bairro Vigilato Pereira, é área nobre da zona sul de Uberlândia. Mas quando em 1984, Conceição Leal, ciceroneou uma delegação de 14 embaixadores africanos, junto a uma centena de negras e negros vindos de todo o Brasil, uma capsula do tempo foi colocada no número 189, da rua Itapuã, que era apenas uma área remota da então pacata Uberlândia.

É neste endereço que fica a sede do Monuva. É aqui que uma nova História precisa e vai ser contada pelos Heróis, que são, cada negra, e negro, que sabe da força de sua militância; que entende o poder da imagem e da História de Sebastião Prata, o Grande Otelo. Que tem o entendimento do valor que representa a professora Maria José Mamede, Messias Limirio, Heli Fidelis, e a referência que é a advogada Graciemilia Silva.

Um projeto novo. Uma ideia de História do agora alicerçada no trabalho de 500 anos de luta. Um espaço multidisciplinar com a força da transversalidade de ideias e possibilidades para que as oportunidades sejam mais que uma opção: uma realidade com a marca Monuva.

Essa questão uberlandense, com jeito mineiro de ser, também é a melodia que precisa ser cantada por todo o Brasil. Quantos Movimentos Negros o Brasil é? Quem são os negros, e negras, que se apresentam de maneira organizada baseados em ong´s e entidades iguais aos Clubes Sociais Negros? Qual a agenda da Seppir para com as muitas unidades do Movimento Negro Brasileiro? Qual a agenda da Seppir para além dos discursos com aporte real e objetivo na consolidação de acesso aos representantes que se dispõem a estar presentes? Será que a Seppir entende que as reuniões não podem ser somente em Brasília? Será que a Seppir entende que são várias as urgências do Movimento Negro Brasileiro e foi por isso que houve uma luta para sua criação desde 1985, quando desceu goela abaixo a Fundação Palmares como um paliativo?

Mais de cinco mil municípios tem o Brasil. Quantos têm ações, coordenações, superintendência com ações de politicas de promoção da igualdade racial (PIR)? Mais de uma década de Seppir e o feriado de 20 de novembro ainda é uma ideia. Que articulação nacional esta sendo feita? Quais estados possuem órgãos PIR? O que vem depois da Lei 10.639 de 2003? Não é relatar, fazer livro ou revista da situação, mas publicizar o que está efetivamente sendo feito.

Isso porque já está na hora de o Movimento Negro Organizado Brasileiro encarar um ostinato. Ou seja, privilegiar quem esta em posição, de articulação ou comando em sua expertise. Um exemplo para escurecer essa ideia do ostinato é a famosa canção do grupo ABBA, famoso nos anos 1980, "Take a Chance on Me". Aqui os quatro membros do grupo são distribuídos nos quatro cantos da tela; durante a execução da canção em seu vídeo clip, Benny e Bjorn cantam, repetidamente, "take a chance, take a chance, take a, take a chan-chance", ao mesmo tempo em que Agnetha e Frida cantam a letra da canção. Não é preciso destruir nada do que já está. É preciso agregar.

Você vem? Vamos conversando.

José Amaral Neto