Pra mim, mais um exemplo contundente.
Dêem-nos uma vaga, abram-nos uma cota, rompam uma só barreira do racismo e do preconceito e nós brasileiros negros, junto aos brasileiros brancos, faremos dessa a maior nação do mundo.
Não nos apequenemos em questiúnculas do justo e do injusto.
Sobre a maior de todas as injustiças, a escravidão, já passamos nós, os brasileiros negros escravos.
Relegados pela nossa cor, fomos expulsos das fábricas do começo do século e, sem oportunidades de subsistência, fomos formando as favelas das grandes cidades, sem chances de melhorias de vida, por gerações após gerações. Mesmo os que conseguiam com muito esforço vencer as barreiras da escola, sobravam nas entrevistas para empregos. Não tínhamos “boa aparência”: éramos negros.
O que buscamos agora é a igualdade de oportunidade.
Igualdade que só se consumará quando todas as portas estiverem abertas também para nós.
A cota não é um privilégio.
É a oportunidade de brancos e negros encontrarem uma sociedade mais parelha, sem tantas discrepâncias.
A cota nas universidades, nos empregos públicos e onde mais possa ser colocada é, muito provavelmente, o fim da violência que foi fabricada com o tacão de dezenas e dezenas de anos de governos indiferentes à marginalização do povo negro.
Nós negros somos metade da gente deste Brasil e metade da gente deste Brasil está na vala, como porcos, comendo sobras, vivendo de sobras, morando nas sobras de nossas urbes de palacetes de brancos.
Não quero os brancos nas valas. Não quero os brancos sem empregos, barrados pela cor de sua pele nos ambientes bonitos, confortáveis, que a civilização produz, como o fomos por muito tempo. E ainda o somos, pois, embora hoje protegidos pela lei contra impedimentos explícitos relativos à cor da nossa pele, não o somos pela nossa condição social: somos pobres. Pobre não entra. Pobre é marginal.
Quero brancos e negros juntos, trabalhando, construindo a nação, o Brasil da próxima olimpíada.
Parabéns Diogo! Parabéns por ser negro, Silva e ter derrubado todas as barreiras para conseguir sua medalha de ouro.
Que Deus te abençõe! Axé.

Carlos Veneranda