S. Paulo – O padrão de abordagem nas revistas em pessoas negras feitas pela Polícia de S. Paulo, que sempre foi alvo de denúncias, piorou muito após os episódios com a facção criminosa PCC – Primeiro Comando da Capital -, segundo denúncia do SOS Racismo da Assembléia Legislativa de S. Paulo.
Os dois exemplos mais recentes foram os casos da funcionária do Tribunal de Justiça, Edvanilde Moura (foto), 49 anos, e de José Raimundo dos Santos Silva, 24 anos, acadêmico de Direito, de S. José do Rio Preto. Ambos sofreram violências numa abordagem policial: Edvanilde teve sua casa invadida e foi arrastada por policiais militares apenas porque tentou interceder para que não espancassem um vizinho, também negro, numa abordagem; José Raimundo, foi parado e agredido com jatos de gás de pimenta nos olhos apenas porque pediu que não o espancassem.
Estes e outros casos serão o tema da audiência pública que a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia, coordenada pelo deputado Ítalo Cardoso, o SOS Racismo e a Comissão do Negro e Assuntos Anti-Discriminatórios da OAB/SP, promoverão nesta quinta-feira, às 14h30, no plenário José Bonifácio da Alesp.
Segundo o coordenador do SOS Racismo, José Reinaldo Araldo “pessoas de baixa renda e negros são vítimas freqüentes de abuso de autoridade”. “Não raro, a abordagem e a detenção de “suspeitos” são acompanhadas de ofensas verbais e violência física”, afirmou Reinaldo, para quem esse tipo de violência contra a população negra recrudesceu após os conflitos da Polícia com o PCC.
Para a audiência foram convidados o Delegado Geral de Polícia de S. Paulo, Marco Antonio Desgualdo, o delegado Geral de Polícia do Estado, Coronel Éclair Elizeu Borges Teixeira, Comandante geral da PM, o Ouvidor das Polícias, Antonio Funari, Ruy Estanislau Silveira, carregador da Polícia Civil, Rodrigo César Rebello Pinho, procurador geral de Justiça do Estado, Clóvis Santinon, Corregedor da Polícia Militar, o ex-ministro José Gregori, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Prefeitura de S. Paulo, e Willian Fernandes, Ouvidor da Defensoria Pública.

Da Redacao