S. Paulo – O policial militar aposentado, Jonas San’Ana, pai do dentista negro Flávio Sant’Ana, disse, ao comentar a condenação de dois policiais policiais a 17 anos e meio de prisão e um terceiro a 7 anos e meio, que a justiça foi feita.
“Foi feita Justiça. É como se eu tivesse reencontrado uma parte minha, que tinha se perdido. Meu filho não voltará, mas a justiça foi feita. Estou conseguindo me refazer. É uma sensação de dever cumprido”, afirmou.
Na madrugada de quarta-feira, o 2º Tribunal do Júri do Fórum Regional de Santana, finalmente julgou e condenou três dos sete policiais envolvidos no crime, praticado no dia 03 de fevereiro. Os outros quatro serão julgados posteriormente e deverão pegar penas mais leves porque são acusados de fraude processual por terem participado da tentativa de construir uma versão mentirosa para o crime.
Flávio foi morto quanto voltava do aeroporto de Cumbica, onde fora levar a namorada, ao ser confundido por um ladrão que havia furtado R$ 17,00 de um comerciante.
O pai de Flávio contou a Afropress como a família teve de superar o sofrimento da perda. “No primeiro momento é a tensão, o medo, você quer morrer junto; depois a gente começa a se perguntar: por que eu? Essa fase também passa. Por último vem a fase da aceitação. Eu comecei a mudar internamente, participar das Marchas, das manifestações”, relatou.
Para o deputado Sebastião Arcanjo, coordenador da Frente em Defesa da Igualdade Racial da Assembléia Legislativa, o julgamento aconteceu em tempo recorde e representou uma vitória de todos os que lutam contra o racismo e a violência policial. Segundo o deputado, a condenação dos policiais é uma oportunidade para se exigir mudanças no comportamento da Polícia Militar por parte do Governa do Estado.
O líder do Movimento Negro Unificado, Milton Barbosa, destacou a coragem e a resistência da família e também destacou que foi feita justiça. Militão, contudo, ressaltou que, além da pressão do movimento social negro e anti-racista organizado, a condição social da família de Flávio pesou na decisão dos jurados. “Se fosse um negro comum, provavelmente ficaria sem resposta”, afirmou, lembrando o fato de Flávio ter se formado dentista e pertencer a uma família estruturada.
Já o Frei David Raimundo dos Santos, da Rede Educafro, disse que a expectativa era de que a condenação fosse de 25 a 30 anos, em virtude da barbaridade do crime, porém também considerou uma vitória a decisão do Tribunal do Júri. Segundo Frei David, é possível tirar várias lições do episódio e uma delas é que “infelizmente, se Flávio não fosse dentista, se fosse um pedreiro, um negro simples, seria mais um esquecido”.
“Isso demonstra a hipocrisia inconsciente da sociedade”, afirmou.
contou.

Da Redacao