S. Paulo – “Estamos sendo assassinados. Estamos sendo parados nas esquinas pela cor de nossa pele. Vamos ajudar essa família a se reerguer. Nós somos cidadãos e temos direitos que devem ser respeitados. Não ao ódio e sim a paz”. Com essas palavras, o padre José Enes, do Instituto do Negro Padre Batista, expressou o sentimento dos presentes na missa de 30 dias, em memória do motoboy negro, Eduardo Luiz Pinheiro dos Santos, morto sob tortura por policiais militares em um quartel da Zona Norte de S. Paulo, no dia 09 de abril passado.
A missa reuniu cerca de 100 pessoas, na Igreja do Largo de Santa Cecília, na manhã deste sábado. Ao final da celebração, o pai, José Aparecido dos Santos, subiu ao altar, acompanhado dos irmãos do motoboy Paulo César Pinheiro dos Santos, Cláudio Roberto e Luiza Santos para agradecer a solidariedade.
“A solidariedade que estamos recebendo é o que faz com que tenhamos forças. Eduardo foi vítima, mas que a morte dele não tenha sido em vão”, afirmou.
“É muito difícil. A cada dia que passa agente sente mais saudade dele”, afirmou Cláudio, sobre a
falta que faz o irmão. A mãe do motoboy, a pedagoga, Elza Pinheiro dos Santos, não pôde ir a missa, segundo a família, porque ainda está muito abalada.
Além do presidente do CONDEPE (Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana), Ivan Seixas, a missa foi acompanhada pelo deputado José Cândido (PT/SP), pela chefe da Coordenação de Políticas para a População Negra e Indígena, Roseli de Oliveira e pela presidente do Conselho Estadual da Comunidade Negra de S. Paulo, professora Eliza Lucas.
No final, um grupo de ativistas, com cartazes e faixas estendidas em frente a Igreja, promoveu um ato, pedindo Justiça e denunciando a violência policial que tem atingido especialmente os negros.

Da Redacao