Rio – O nigeriano Jokotoyé Awolade Bankole, 55 anos, fala no próximo dia 13/11, no CEFET/RJ, sobre Memória, Ancestralidade e identidades no contexto africano. O evento, que será traduzido simultaneamente para o português, é uma atividade da Coordenação do Mestrado em Relações Etnicorraciais com objetivo de capacitar professores para aplicação da Lei 10639/03 – que obriga a inclusão da História da África, dos africanos e dos negros brasileiros, em todos os níveis, no currículo escolar das escolas públicas e privadas. A palestra tem entrada franca e é voltada a pesquisadores, professores e alunos. Para o professor doutor Roberto Borges, coordenador do programa de Stricto-senso em Relações Etnicorraciais da instituição, a iniciativa é uma forma de desconstruir esta imagem mítica e distante deste continente tão próximo das nossas tradições culturais. "Ter um informante privilegiado como o nosso palestrante e ainda possibilitar o contato com um dos idiomas falado em África é uma experiência muito rica para professores dos Estudos da Linguagem, Literatura, Sociologia, História e de qualquer outra disciplina e/ou área do conhecimento. Não tenho dúvidas de que um evento como este tem um alcance bastante relevante e nos coloca na vanguarda dos estudos sobre as relações etnico-raciais", afirmou. Sobre o palestrante Jokotoyé Awolade Bankole é o oluwo chefe do Egbé Adifalá, da cidade de Ogbomoso, Estado de Oyó (Sul da Nigéria). Foi a partir do contato com Bankole que o etnógrafo Pierre Verger escreveu o livro "Ewe", que tornou-se um dos mais respeitados no Brasil sobre o uso ritual das ervas sagradas e das relações entre africanos e brasileiros, neste século. Bankole é um personagem-testemunha de muitas histórias da História que envolvem os mitos e ritos afro-brasileiros, em suas dimensões políticas e religiosas. De informante privilegiado, Bankole passou a frequentar o Brasil como liderança religiosa, em 1997. Seu objetivo: resgatar a tradição de Ifá (*), que se perdeu no culto dos Orixás. Nascido em uma cidade assolada pelo tráfico negreiro, há pouco mais de um século; praticante de uma religiosidade que hoje está no epicentro de uma guerra santa, em seu país; Bankole oferece um olhar plural e pouco mistificado de sua condição de africano que busca reificar uma identidade africana pós-colonial. É um novo olhar, que está para além das idealizações, porém ainda profundamente desarraigado do poder civilizatório colonial. (*) Ifá é um sistema divinatório reconhecido pela UNESCO como patrimônio imaterial da humanidade, em 2007. PS1.: A palestra será feita em yorubá, um dos quatro idiomas falados na Nigéria, Togo e Benin. Em África, o yorubá é falado por cerca de 10 milhões de pessoas. PS2.: Ekundayo Olalekan Awe, que fala fluentemente o português e mora no Brasil há 16 anos, fará a tradução. DATA: 13/11 HORA: 18h LOCAL: Auditório 2, primeiro andar ENDEREÇO: São duas entradas – Rua General Canabarro, 135 ou Av: Maracanã, 229 – Maracanã Mais informações: Rosiane Rodrigues Tel: 21.85920205

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