S. Paulo – Embora tenha tomado a iniciativa de indenizar em acordo extrajudicial a família do menor T., a quem pagou, em março, a quantia de R$ 260 mil, o Grupo Pão de Açúcar, do empresário Abílio Diniz, se recusa a estender a indenização aos dois outros menores vítimas de maus tratos por parte de seguranças da loja do Hipermercado Extra, da Marginal Tietê, na Penha, Zona Leste de S. Paulo.
O caso aconteceu no dia 13 de janeiro deste ano, está sendo investigado em inquérito no 10º DP da Penha e ganhou repercussão internacional a partir da comunicação feita pela Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP à Comissão Interamericana e à Corte Européia de Direitos Humanos.
Agressão
As três crianças foram levadas para uma sala sob suspeita do furto de mercadorias na loja, xingados de “negrinhos sujos e fedidos” e ameaçados de agressão a chicotes. Dois deles relatam que chegaram a ser agredidos com tapas no peito e na região dos genitais.
O advogado Alexandre Mariano, constituído pelas famílias dos dois menores excluídos do acordo disse que há mais de um mês tenta, sem sucesso, abrir diálogo com a empresa. “A resposta que me deram é que não tem interesse em negociar”, afirmou.
Para o advogado, a atitude da empresa representa uma dupla discriminação. “Considerando que as três vítimas sofreram maus tratos, ameaças e agressões e que somente no caso de um deles, ocorreu a composição extrajudicial, pleiteamos isonomia de tratamento em relação às famílias dos outros dois menores que, inclusive, sofreram agressões físicas, conforme depoimento prestado junto ao delegado que preside o competente Inquérito, além da injúria racial e a violência psicológica”, afirma.
Tratamento isonômico
O advogado acrescentou querer, em nome das famílias, “apenas tratamento isonômico, já que a recusa da empresa em indenizar os dois representa tratar a ambos em condições inferiores, sendo que sofreram danos semelhantes”, ressaltou.
Mariano disse que os dois menores – de 13 e 14 anos, respectivamente – foram retirados da fila do caixa e, portanto, a suspeita de que os mesmos teriam furtado alguma mercadoria não tem nenhum fundamento.
Ele já pediu ao delegado Marcos Aníbal Arbues de Andrade que sejam tomados os depoimentos dos dois menores e a reconstituição do caso.

Da Redacao