S. Paulo – O Grupo Pão de Açúcar, do empresário Abílio Diniz, tenta por todos os meios abafar a investigação para identificar os responsáveis pelas agressões aos menores T., de 10 anos (na foto acompanhado do pai, Diógenes Pereira da Silva), W. e M., respectivamente, de 13 e 14 anos.
A denúncia foi feita por Alexandre Mariano, advogado de dois dos menores que, no dia 13 de janeiro passado, foram levados para uma sala do Hipermercado Extra, da Marginal do Tietê, na Penha, obrigados a tirar a roupa sob a ameaça de chicotes e xingados de “negrinhos fedidos”.
W. e M., que já depuseram na Polícia disseram que, além das ameaças e xingamentos, também foram agredidos com tapas no peito e nas áreas genitais.
“Não existe prova nenhuma no inquérito de que houve furto, já que existe um circuito fechado e nada foi constatado porque eles não têm a gravação. Agora estão fazendo de tudo para a abafar e uma das maneiras que estão utilizando é enrolar, não deixar apurar, fazer confusão no inquérito”, afirmou o advogado.
Indenização
Ele acrescentou que, embora tenha indenizado um dos menores – T., cuja família recebeu R$ 260 mil à título de indenização – a empresa se recusa a assumir a responsabilidade em relação aos outros dois.
O delegado Marcos Aníbal Arbues Andrade, do 10º DP, que preside o Inquérito, disse aguardar a apresentação de um dos seguranças – Márcio Ojeda -, que foi reconhecido pelos três menores, para que este, aponte os nomes dos colegas autores das ameaças.
Reconstituição
Mariano suspeita que a relação com os nomes dos funcionários apresentados não corresponda aos que efetivamente estavam de serviço no dia. É que os três menores não reconheceram todos os envolvidos nas fotografias apresentadas e, em depoimento no dia 31 de agosto, disseram que já viram pelo menos um deles na loja. O Pão de Açúcar no início garantiu que todos teriam sido afastados.
Por outro lado, o advogado da empresa, Marcelo Ulbricht Lapa, segundo Mariano, tem dado informações contraditórias à Polícia, com o propósito visível de embaralhar a investigação e dificultar o trabalho de identificação dos acusados.
Por causa disso, Mariano e o advogado Dojival Vieira, que defende o menor T., – cuja família já foi indenizada – vão pedir ao delegado a reconstituição do crime, a apresentação pela empresa da relação dos funcionários envolvidos e a acareação dos menores com Ojeda, para que este aponte quem os nomes dos demais acusados.

Da Redacao