S. Paulo – Durante a encenação do Martírio de Cristo, na Jornada Mundial da Juventude, na noite desta sexta-feira (26/07), na Praia de Copacabana, o Papa Francisco denunciou a intolerância, a corrupção, a fome e o racismo. “Com a cruz, Jesus se une a todas as pessoas que sofrem fome em um mundo que, por outro lado, se permite o luxo de jogar fora, cada dia, toneladas de alimentos. Com a cruz, Jesus está junto a tantas mães e pais que sofrem ao ver os seus filhos vítimas de paraísos artificiais, como a droga. Com a cruz, Jesus se une a quem é perseguido por sua religião, por suas ideias ou simplesmente pela cor de sua pele. Na cruz, Jesus está junto a tantos jovens que perderam sua confiança nas instituições políticas porque veem o egoísmo e a corrupção ou que perderam sua fé na Igreja, em Deus inclusive, pela incoerência dos cristãos e dos ministros do evangelho”, afirmou o Papa para a multidão.

Durante o período da escravidão – que vigorou no Brasil até 13 de maio de 1.888 – várias ordens religiosas da Igreja Católica praticaram a escravidão. 

Multidão

Segundo a organização do evento, 1,5 milhão pessoas acompanharam o evento. No final, o Papa pediu orações para as famílias que perderam os filhos na tragédia da boate Kiss, em Santa Maria, e falou de temas delicados, como a intolerância, o racismo e a corrupção. O Pontífice também não poupou de críticas líderes religiosos.

Vários artistas fizeram a leitura de textos do Novo Testamento durante a encenação. Sobre o incêndio que matou 242 jovens na boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, o Papa afirmou. “Com a cruz, Jesus se une ao silêncio das vítimas da violência que já não podem gritar, sobretudo os inocentes e os indefesos. Com a cruz, Jesus se une às famílias que se encontram em dificuldade e que choram a trágica perda de seus filhos, como no caso dos 242 jovens vítimas do incêndio na cidade de Santa Maria, no princípio deste ano. Rezamos por eles”.

Matriz africana

O Papa Francisco recebeu pela primeira vez um representante do Candomblé.  O babalaô Ivani dos Santos, coordenador da ONG CEAP (Centro de Articulação de Populações Marginalizadas) participou da recepção oferecida pelo Papa a religiosos e representantes da sociedade civil. “Isso é inédito”, disse Ivani, que conta ter entregado ao Papa um livro com fotos sobre a Caminhada pela Liberdade Religiosa que acontece todos os anos no Rio. Este ano a caminhada está marcada para o dia 08 de setembro.

Segundo Ivani, o Papa o presenteou com duas medalhinhas com a esfinge do Pontífice. “Foi um passo muito importante. Marca um gesto de respeito às religiões afro-religiosas e minoritárias”, concluiu. (Crédito da foto: Facebook Calúdio Menezes)

 

Da Redacao