S. Paulo – A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) se tornou modelo de inclusão de negros e indígenas ao ensino superior, por meio do seu Programa de Ações Afirmativas e Inclusão Social (PAAIS), sem a utilização da reserva de vagas – o sistema de cotas. No vestibular deste ano, 51,9% entre os aprovados são oriundos de escola pública, e entre estes, 43% são autodeclarados pretos, pardos (negros) e indígenas.

O resultado do Vestibular 2016 divulgado no final da semana passada pelo reitor José Tadeu Jorge foi destacado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), na audiência em que recebeu nesta terça-feira, (16/02) no Palácio dos Bandeirantes, jornalistas e lideranças do movimento negro como a ex-secretária da Justiça, professora Eunice Prudente, o médico Luiz Eduardo Batista, liderados pela professora Elisa Lucas Rodrigues, chefe da Coordenação de Políticas para Negros e Indígenas, ligada à Casa Civil.

Os jornalistas Dojival Vieira, editor de Afropress, Washington Andrade, do Portal Áfricas, acompanharam a audiência.

Ações Afirmativas

Para Alckmin, o resultado do vestibular da Unicamp demonstra o acerto das políticas de ações afirmativas, que vem sendo adotadas no Estado, e que garantem a inclusão, sem excluir o mérito. A base dessas políticas é o princípio da pontuação diferenciada.

Pelo programa da Unicamp, que passou por mudanças no ano passado, são concedidos 60 pontos para estudantes do sistema público e mais 20 pontos para estudantes do sistema público autodeclarados pretos, pardos e indígenas na primeira fase do vestibular.

Na segunda fase, a bonificação é de 90 pontos para egressos do ensino público e de 30 pontos para autodeclarados pretos, pardos e indígenas, igualmente oriundos da escola pública.

Metas

O resultado obtido no Vestibular 2016 da Unicamp antecipa em um ano e supera a meta definida em 2013, que previa que, em 2017, 50% das matrículas seriam de candidatos oriundos do ensino público, dos quais 35% autodeclarados pretos, pardos e indígenas.

Segundo a Fundação Seade, com base em dados do IBGE, pretos e pardos em S. Paulo, representam 34,6% da população. Os indígenas são 0,1% da população paulista, que já ultrapassou os 44,04 milhões de habitantes.

O governador lembrou o fato já enfatizado pelo reitor de que esse percentual prevalece também nas carreiras mais concorridas como Medicina, Arquitetura e Urbanismo, Midialogia, Ciências Biológicas e Engenharia Civil. Entre os cinco cursos, apenas Arquitetura e Urbanismo terá menos de 35% de Pretos, pardos e indígenas, porém, nesse curso esse segmento já representa 26,9% dos alunos.

Ao fazer o anúncio o reitor Tadeu Jorge enfatizou o sucesso do Programa de Ações Afirmativas e Inclusão Social da Universidade, criado em 2004 como alternativa à simples reserva de vagas, e disse que o fato “representa um marco para a Unicamp, um marco para as ações de inclusão das universidades públicas”.

 

Da Redacao