Brasília – O presidente da Associação dos Coletivos de Empresários Afro-Brasileiros (Anceabra), João Bosco Borba (foto), considera que a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, que será sancionado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 20 deste mês, representa um avanço e coloca para o Movimento Negro brasileiro um novo desafio: o de pensar políticas públicas para os mais de 95 milhões de afro-brasileiros.
“O Estatuto aprovado tem de ser visto como um sinalizador de políticas públicas. Agora cabe ao Movimento Negro discutir essas políticas. O Brasil passa por um novo modelo de desenvolvimento. Como é que a comunidade negra vai se incluir nisso?”, pergunta Borba.
Ele viu a aprovação do Estatuto – mesmo com a exclusão de pontos considerados fundamentais por setores expressivos do movimento negro – como as cotas e o capítulo que tratava da saúde, como um avanço importante e faz questão de dizer que os críticos estão errados.
“O Movimento Negro vai ter de mudar e entender que estamos em um novo momento. O Brasil cresceu em oito anos, mais que nos últimos oitenta anos. Existe uma classe média negra hoje no país. Que proposta é que nós temos para ela? O Estatuto vem para ajudar isso. É preciso ter políticas públicas para atender a essa nova realidade”, acrescenta.
Ele desdenhou do papel das entidades, em especial do Movimento Negro Unificado (MNU), que lidera um movimento para que o Presidente Lula vete o Estatuto. “Quem é o MNU hoje? O que representa em termos de força política?”

Da Redacao