Brasília – Na sua intervenção durante o encontro, o dirigente da Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), da Bahia, Gilberto Leal, fez duras críticas a ministra chefe da SEPPIR, Luiza Bairros, pela falta de diálogo e apontou os prejuízos que essa postura vem provocando na execução das políticas de promoção da igualdade racial.

“Minha crítica a falta de diálogo, trata dos prejuízos dessa ausência desse período todo até os dias atuais. Estamos há um ano meio de acabar a gestão como um todo [Governo Federal]. Acredito que não será registrado, mas ficou registrado pelos presentes, cerca de 40 pessoas. Existem falas de diversos setores que falam isso e contextualizam. A falta de diálogo prejudica o debate e a coleta de contribuições para o aperfeiçoamento do Programa da Igualdade Racial que está contextualizado em dois decretos – um que instituiu a política e outro que instituiu o plano. Estou falando pela experiência da Bahia, pela minha experiência”, afirmou.

No início da noite desta segunda, Flávio Jorge, da CONEN de S. Paulo, disse que a articulação – composta por lideranças próximas ou ligadas ao PT – tornará pública uma Nota sobre o encontro até sexta-feira (12/07). Ele não quis fazer comentários sobre a reunião.

A crítica de Leal, segundo ele próprio, não foi respondida por Bairros. “Não fui contestado. Não vi postura [da gestão da SEPPIR] de ter assumido uma ausência de diálogo. O lado criticado não vi em nenhum momento assumir essa falta, mas reconhece que esse é o primeiro momento de uma chamada nacional para dialogarmos sobre essa política”, acrescentou.

Mesmo com a ausência de várias lideranças convidadas, Leal justificou a disposição da maioria atender ao convite, observando não ter visto nisso qualquer ânimo de avalizar a política da atual gestão. “Essa chamada opera com algo meio subliminar que vai na seguinte direção. Quando o organismo que discute a política na qual você investe com mais intensidade, te convoca para discutir, concordante ou não, a tendência é – em nome do principal beneficiário  que é a população negra -, você aceder. Você é colocado numa situação em que, olhando para o seu compromisso e sentindo o dever de contribuir, vai. Muitos dos que foram lá foram, muito menos para referendar e mais para contribuir, por entender que deve existir, por parte do Governo, uma abertura para aperfeiçoar a política, para aprofundar e caminhar na direção de dar mais eficácia e eficiência a política de promoção da igualdade racial no Brasil. Eu não vi esse sentimento das pessoas de dizer, "olha até agora está tudo certo”, relatou.

 

Da Redacao