Salvador/BA – Gilberto Leal, da secção baiana da Coordenação Nacional de Entidades Negras, e um dos líderes cuja participação na reunião com a Presidente Dilma Rousseff teria sido vetada pela ministra chefe da SEPPIR, Luiza Bairros, a quem Leal tem feito críticas, considerou que a autonomia do movimento negro como movimento social “foi gravemente ferida”.

“O elemento mais agravante foi o movimento não ter indicado seus representantes, ainda que houvesse polêmica entre eles. Tudo isso tem a ver com autonomia. A autonomia do movimento social foi ferida. Qualquer movimento no mundo, que se respeite, por mais revolucionário que seja o dirigente daquele setor no Estado não pode jamais negociar a sua autonomia e decidir pelos seus próprios destinos, sob pena de estar violando valores inegociáveis de um movimento social, entre os quais sua autonomia”, afirmou.

Ao final do encontro com Dilma, convocado pelo Planalto como estratégia para dar respostas às manifestações de junho, a ministra da SEPPIR – que o  articulou e definiu quem deveria ser convidado – apresentou os resultados da reunião em nome do movimento negro.

Dos 19 membros presentes a reunião com Dilma, 12 integram o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), órgão de assessoramento da ministra.

Bandeira inegociável

Segundo Leal, a autonomia do movimento social “é uma bandeira inegociável”. “É preciso saber disso e estar disposto a pagar qualquer preço por isso. É preciso que, depois disso se faça a pergunta ao movimento negro: protagonismo é valor negociável ou descartável?", indagou.

De acordo com o dirigente da CONEN “neste caso foi descartável”.  “Governo é Governo e sociedade civil é sociedade civil. Em qualquer lugar, até na guerra. Eu gostaria de ouvir o movimento negro falando sobre isso. Não estou cobrando nada de Governo. O movimento deve ser autônomo para questionar qualquer Governo. Qualquer um. Nós fomos derrotados no protagonismo, independente do conteúdo da reunião. De ter ido ou deixado de ir. Se ficou "démodé" ser autônomo não é comigo”, acrescentou.

Posição do Reaja

Por outro lado, o líder do movimento “Reaja ou será morto. Reajá ou será morta”, o poeta Hamilton Borges Walê (foto), esclareceu que, ao contrário noticiado na matéria de Afropress não teve o seu nome descartado pelos articuladores da reunião com a Presidente, por conta das posições críticas que defende.

“Quero fazer uma correção. Fomos para a reunião em Brasília, colocamos uma posição pública no youtube "Apresentar um projeto político para nação é construir um outro!", queria dizer que no processo de elaboração da carta [carta encaminhada ao Secretária Geral da Presidência, ministro Gilberto Carvalho, pedindo audiência), nós pedimos para retirar nosso nome que não queríamos assinar o documento, por isso queremos dizer, respeitosamente, assim como temos respeito por quem aceitou esse dialogo tutelado. Não fomos cortados. Nós não quisemos ir desse modo, com esse método. Essa é a nossa posição que respeita quem topou, mas a nossa posição é nossa”, concluiu.

Veja a lista de quem esteve na reunião divulgada após o encontro no Palácio do Planalto; 12 dos 19 são membros do CNPIR órgão de assessoramento da ministra.

1. Ana Flávia Magalhães Pinto – Coletivo Pretas Candangas / Campanha A Cor da Marcha; 2. Angela Maria da Silva Gomes – CNPIR; 3.     Arilson Ventura – CONAQ/CNPIR; 4. Cida Abreu – Secretaria Nacional de Combate ao Racismo do PT; 5. Cledisson Geraldo dos Santos Júnior – ENEGRECER/CNPIR; 6. Edson França – UNEGRO/organização com assento no CNPIR; 7. Estela Maris Cardoso – Fórum de Mulheres Negras/CNPIR; 8. Flávio Jorge – CONEN/organização com assento no CNPIR; 9. Frei David – EDUCAFRO/CNPIR; 10.  Helcias Roberto Paulino Pereira – APNs; 11. Ivanir dos Santos – CEAP/organização com assento no CNPIR; 12. João Carlos Borges Martins – ANCEABRA; 13. José Vicente – Faculdade Zumbi dos Palmares; 14.  Marcos Rezende – CEN; 15. Maria da Conceição Lopes Fontoura – Maria Mulher/AMNB/CNPIR; 16. Paulino de Jesus Cardoso – ABPN/CNPIR; 17. Sueide Kintê – Instituto Flores de Dan /Articulação Mulheres & Mídias Bahia; 18. Valdecir Pedreira do Nascimento – Instituto Odara /CNPIR; 19. Valkiria de Sousa Silva – CENARAB/CNPIR

 

 

Da Redacao