S. Paulo – Com longa carreira acadêmica como professora doutora da Faculdade de Direito da Universidade de S. Paulo (USP), e de temperamento discreto na militância do movimento de mulhereds negras, a professora Eunice Prudente, a primeira mulher a assumir a Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania de S. Paulo, em 2006, faz questão de declarar seu voto no segundo turno das eleições deste domingo (26/10): “Meu voto é para o Aécio”, garante.

Prudente, que é professora titular da Universidade S. Francisco, com experiência na área da Advocacia pelos Direitos Fundamentais, Direito do Consumidor e Direito Ambiental e Administrativo, se diz inconformada com as políticas do Governo Dilma no trato com estudantes inadimplentes de escolas da rede privada.

“Eu esperava realmente um enfrentamento dessas mantenedoras de direito privado que, até inconstitucionalmente, mandam os estudantes para instituições restritivas de crédito por inadimplência. Eu esperava que um Governo que se diz preocupado com os trabalhadores e comprometido com o social, colocasse o dedo nesse tipo de ferida”, afirmou.

Segundo ela, milhares de estudantes brasileiros, que aderem aos programas de educação financiados pelo Governo – como o FIES -, por exemplo, ou que ficam impossibilitados de pagar as mensalidades nas faculdades privadas – onde a maioria é constituída por alunos pobres e negros – acabam tendo enormes prejuízos e até mesmo impedidos de acessar ao mercado de trabalho, porque seus nomes são enviados para instituições restritivas de crédito.

“Esses estudantes estão sendo discriminados no mercado de trabalho porque não conseguem empregos se tiverem os seus nomes negativados. Mantenedoras de ensino mesmo de um serviço privado, estão exercendo um serviço público por excelência e não vendendo bananas”, afirma.

Reeleição

Ela também se diz contra a reeleição, bandeira com a qual o candidato do PSDB, Aécio Neves, do PSDB, já assumiu compromisso. “A reeleição vai contra, inclusive, dispositivos constitucionais”, acrescenta, afirmando que a falta de coincidência entre os mandatos dos eleitos e a Lei de Diretrizes Orçamentárias, acaba resultando na ausência de planejamento dos Governos. “Com a reeleição ficou tudo muito confuso”, assinala.

Ao fazer um balanço do atual Governo, Prudente, que como pesquisadora tem tratado de temas referentes as desigualdades raciais, relações étnicorraciais e o negro na ordem jurídica brasileira, entre outros, garante que tem muito respeito pelo fato de ter sido Dilma, a primeira mulher a se eleger Presidente da República, porém, considera que seu Governo deixou a desejar em muitos aspectos. "Há questões gravíssimas que precisam ser enfrentadas e eu não tenho observado que estejam sendo no Governo Dilma”, conclui.

Os negros e as mulheres decidirão as eleições deste domingo: segundo pesquisa do Instituto Patrícia Galvão, coordenado pela socióloga Fátima Pacheco Jordão, os negros constituem 55% do eleitorado e as mulheres 52% das pessoas com direito a voto.

 

Da Redacao