Salvador – O professor Hélio Santos disse ontem que considerará um desrespeito à população negra por parte da Presidente Dilma Rousseff (PT) se ela não confirmar no cargo a atual ministra chefe da SEPPIR, socióloga Luiza Bairros. “Eu como intelectual independente e não partidarizado, considerarei um desrespeito da Presidente se permitir que a SEPPIR entre nas negociações partidárias. Ela estará desrespeitando a população negra que votou em massa nela”, disse Santos, em entrevista, por telefone, de Salvador, para a Afropress.

Embora a presidente tenha pedido a todos os ministros que entregassem o cargo para deixá-la a vontade para convidar – ou confirmar – os nomes que integrarão o novo ministério – ainda não se sabe se Luiza Bairros já entregou a carta de demissão. Chamou a atenção, porém, sua ausência no Congresso Nacional de Educação, que aconteceu em Brasília, na quinta-feira, dia 20/11 – Dia Nacional da Consciência Negra. A ministra chefe da SEPPIR não foi convidada pela agenda da presidente, o que levantou rumores de que dificilmente permanecerá no cargo no próximo Governo.

O professor, que é historicamente ligado aos governos do PSDB e nunca negou a amizade com o ex-presidente Fernando Henrique, criou um fato político na última semana da campanha ao declarar apoio à reeleição da Presidente. Dilma travava uma disputa dura – a mais acirrada desde 1.989 –  com o senador Aécio Neves, candidato tucano, que perdeu a eleição por pouco mais de 3 milhões de votos.

Ele se disse preocupado com os rumos anunciados pela Presidente ao escolher, por exemplo, para a Agricultura, a senadora Kátia Abreu (ex-DEM, atual PMDB), históricamente ligada ao agronegócio, e o nome de Joaquim Levy para a Fazenda. Levy é considerado homem estreitamente vinculado ao mercado e tem ligações estreitas com o Banco Bradesco.

Na campanha, Dilma usou como estratégia desconstruir a candidata do PSB, Marina Silva, que chegou a liderar as pesquisas, apresentando-a como candidata dos banqueiros, por ter na coordenação do seu programa, Neca Setúbal, ligada a família Setúbal, dona do Itaú.

Ao sul do Equador

“O nome escolhido por Dilma para a Fazenda não é do mercado. Um capitalista não consegue emprego como diretor do Bradesco. É reacionário mesmo, porque enquanto nos Estados Unidos, nomes do mercado tem compromissos com ações afirmativas, por aqui, ao sul do Equador eles viram machistas, racistas e homofóbicos”, afirmou, numa referência ao fato de que Levy é ligado ao Bradesco, acrescentando que “o que é ruim, sempre pode ficar pior”.

Santos, que preside o Fundo Baobá, disse que Luiza Bairros (foto acima) "é, de longe, o melhor quadro prá continuar na SEPPIR". “A ministra não fez mais por culpa nossa, que devemos ter uma posição mais pró-ativa. Estamos no momento de lutar para que as ações afirmativas reverberem para financiamento e comunicação. São duas áreas que esse movimento social tem de atender”, acrescentou.

O Fundo Baobá para Equidade Racial é uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo mobilizar pessoas e recursos no Brasil e no exterior para apoiar projetos pró-equidade racial de organizações da sociedade civil afro-brasileiras. Surgiu a partir da iniciativa da Fundação americana Kellogg, em 2.008, que ao sair do Brasil convidou um grupo de intelectuais e ativistas para discutir alternativas de longo prazo para a sustentabilidade político-financeira de Organizações da Sociedade civil afro-brasileira.

Da Redacao