Brasília – O apresentador do Jornal Nacional, Heraldo Pereira – o primeiro apresentador negro do telejornalismo brasileiro – defendeu que as mudanças no modelo de desigualdade racial vigente no país têm de começar pela Educação e que a adoção de cotas nas Universidades é um passo importante nesse sentido.
“Precisamos começar a mudar e as mudanças começam pelo ensino. Nós temos que ter cotas nas Universidades públicas. O Estado brasileiro tem de ter, sim, uma política de reparações. Nós contribuímos com o bolo de recursos que mantém a Universidade. Temos direito a uma compensação legal. Nós somos muito representativos e todas as formas de reforço da auto-estima, reforço cultural, devem ser adotadas”, afirmou.
O apresentador considerou que ainda é assustador o grau de intolerância no país. “O Brasil é um país negro. Não sei como é que se pode ainda admitir um país tão racista. Em certo sentido, até mesmo na África do Sul, havia menos intolerância racial do que no Brasil”, acrescentou.
Segundo ele há razões históricas que devem ser consideradas, lembrando que “os feitores das fazendas eram mulatos e na medida em que o “sujeito ganhava uma posição buscava se miscigenar, porém, é preciso mudar este quadro”, frisou. “Eu penso muito e tenho muita esperança nessa meninada que está nos vendo”. Sou um negro fazendo um trabalho como jornalista. Quero servir de referência para os jovens negros. Eu luto para servir de referência”, finalizou.
Heraldo estreou como repórter em 1.980, na TV Ribeirão, de Ribeirão Preto, cidade onde nasceu. Antes teve passagens em rádio e jornal. Depois foi para a TV Campinas, A primeira participação como apresentador do Jornal Nacional, assistido diariamente por 40 milhões de pessoas, aconteceu no dia 23 de novembro de 2.002.

Da Redacao