Sorocaba/SP – A cultura racista está tão arraigada nas relações de trabalho e tão presente nas relações sociais, econômicas e políticas, que a Educaçã é fator importante para erradicá-la, porém, por si só, não é determinante. Ou seja: a escolaridade elevada não é suficiente para a eliminação do fator racismo nas relações de trabalho, por exemplo. Há a necessidade de o Brasil assumir a prática de uma Educação antirracista, a única forma de eliminar das relações sociais a patologia que é a herança maldita de quase 400 anos de escravidão.

A opinião é do advogado e jornalista Dojival Vieira, editor de Afropress, e foi exposta na palestra sobre “Mercado de Trabalho e Juventude Negra – Desafios e Perspectivas”, promovido terça-feira (19/08), pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região, por meio do Coletivo Juventude Metalúrgica, em parceria com a Prefeitura de Sorocaba, Conselho Municipal de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra e Coordenadoria da Igualdade Racial, vinculada a Secretaria de Desenvolvimento Social da Prefeitura.

Para ilustrar a afirmação, o jornalista citou os dados do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser), do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coordenado pelo professor Marcelo Paixão, que demonstram que as defasagens salariais entre negros e não negros, no rendimento médio da população econômicamente ativa, quando desagregada por faixas de escolaridade nas seis principais regiões metropolitanas do país.

A tabela baseada nos dados mais recentes (junho/2014), demonstra que, independente dos anos de estudo, permanecem as diferenças de salários entre negros e não negros.

Por exemplo: brancos (homens e mulheres) sem instrução ou com menos de um ano de estudo tem rendimento médio mensal de R$ 963,87, enquanto que pretos e pardos na mesma faixa de escolaridade ou sem instrução tem rendimento de 874,75.

As diferenças permanecem nos casos de pessoas com 11 anos ou mais de estudo: brancos tem rendimento médio mensal de R$ 2.972,96, enquanto que pretos e pardos tem rendimento médio de 1.703,98. “O acesso a Educação é muito importante, mas não basta. Há o fator racismo que precisa ser erradicado para que as relações no mercado de trabalho sejam caracterizadas pela igualdade de oportunidades”, afirmou.

O jornalista sugeriu aos dirigentes sindicais presentes a inclusão nas negociações coletivas de trabalho de um Programa de Equidade a ser negociado com as empresas nas negociações coletivas de trabalho, visando a eliminação dessas diferenças num prazo a ser pactuado com empresários. "A discriminação racial, fruto dos quase 400 anos de escravidão, junto com a discriminação de gênero, são os dois elementos estruturantes da desigualdade social no Brasil. Não por acaso, o Brasil, a sétima economia do mundo, um país riquíssimo, está entre os 10 países mais desiguais do mundo", afirmou.

A palestra fez parte das atividades comemorativas dos 360 anos de Sorocaba e contou com a presença da vice-prefeita e secretária de Desenvolvimento Social, Edith Maria Garboggini Di Giorgi (foto acima), de Marilda Correa, presidente do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Sorocaba, e de Lucimara Rocha, coordenadora da Igualdade Racial.

O diretor executivo do Sindicato Joel Américo (foto ao lado), Everton da Silva Souza, diretor de base, Samuel e Kelly, respectivamente, coordenador da Igualdade Racial, e do Coletivo de Mulheres do Sindicato, também participaram da palestra e dos debates. O Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba está filiado a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior central sindical do país.

Da Redacao