S. Paulo – O presidente da Liga de Estudantes Africanos, Abdul Ferraz, disse nesta sexta-feira, que o caso do atentado sofrido por estudantes africanos, na Casa do Estudante Universitário, da Universidade de Brasília, não é isolado. “É freqüente esse tipo de hostilidade contra os africanos e por isso mesmo se constituiu a Liga. Estamos num país onde a tua pele não te dá status de cidadão”, afirmou, lembrando que o caso mais recente aconteceu há dois meses e envolveu um angolano, cujo nome não recorda, que foi maltratado e perseguido em Porto Alegre.
“Para o racista não lhe faz diferença se é africano ou não. A sociedade civil, de um modo geral, deve reagir. Não deveria esperar que os negros reajam”, afirmou, atribuindo esse tipo de atitude ao que ele chama de racismo burocrático ou apartheid acadêmico.
Abdul, que é angolano, lembrou que o intercâmbio que permite aos africanos estudarem em universidades brasileiras não é de graça. “Há um custo e, neste custo, está embutido o alojamento digno”, assinalou.
Segundo ele, o custo de um estudante africano para os governos dos países que os enviam, fica, em média, em US$ 150 mil dólares/ano. “Os Governos e o Brasil tem uma linha de crédito. Eles pagam caro e neste custo está embutido o alojamento, que também não poderiam estar sucateados, como é o caso, segundo soube, do alojamento da UnB.
No caso de Angola, por exemplo, Abdul disse que o Brasil tem uma linha de crédito com aquele país estimada em US$ 700 milhões, para venda de seus produtos e serviços a Angola, entre os quais Educação.
Desagravo
Por outro lado, o presidente da Liga de Estudantes Africanos, disse, em defesa das declarações da ministra Matilde Ribeiro, que os brancos que se assustaram agora, quando ela afirmou que negros devem se insurgir, deveriam tê-lo feito quando a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial foi criada.
“É óbvio que o negro tem de se insurgir. É óbvio que o branco vai se assustar. O termo insurgir-se cabe à quem está descontente. Quem quer que me espanque, não vai também querer que eu coopere com ele. Como haverá mudanças sociais se o racismo está institucionalizado. É claro que uma ministra tem de usar palavras duras. Insurgir-se é uma capacidade do ser humano. Esse susto de alguns pressupõe que nós, os negros, não temos capacidade humana de para nos insurgirmos”, afirmou.
Para Abdul, a ministra como mulher e negra tem legitimidade para recomendar a juventude negra que deve insurgir-se “. “Eu estava até desiludido com a Seppir. Agora voltei a me encantar com a ministra”, concluiu.

Da Redacao