S. Paulo – O policial civil Maurício Ludovico, 52 anos, candidato a deputado estadual pelo PTB de S. Paulo (Nº 14.728) disse que aceitou o convite para ser candidato porque “a raça negra necessita urgentemente de maior representatividade política para alcançar o respeito que tanto necessita na sociedade brasileira”.
Ludovico é bacharel em Direito e ex-Presidente do Lions Clube SP Pompéia, ex-Presidente de Divisão e Região da Associação Internacional de Lions Clube, além de diretor do Centro Cultural Africano. Foi diretor presidente por duas gestões da Ação Local Cásper Líbero II da ONG Viva o Centro e preside a Comissão de Ética e Disciplina do Diretório do PTB de Vila Brasilândia.
Entre as suas propostas estão a defesa do mercado de trabalho com maior participação dos afrodescendentes, e a luta pela valorização da diversidade étnica e ações afirmativas, além de uma educação de melhor qualidade voltada para a preservação da juventude contra as drogas.
Sobre a existência de racismo na Polícia, ele é direto. “Antes de entrar na carreira eu tinha uma dúvida, se havia ou não racismo; hoje com mais de 20 anos de serviço tenho a certeza que existe”, conclui.
Leia, na íntegra,a entrevista, mais uma série e que faz parte do esforço de Afropress para estimular o voto em candidatos negros e antirracistas a deputados estaduais, federais e senadores, em todo o Brasil nas eleições de 3 outubro. O espaço é aberto a todos candidatos comprometidos com esta agenda, independente de partidos, às 5ªs feiras e aos domingos.
Afropress – Por que é candidato a Deputado Estadual e quais são suas principais propostas se eleito?
Maurício Ludovico – Todas as eleições sou convidado por amigos a concorrer a um pleito, devido minhas atividades sócio educativas.
Acredito que a raça negra necessita urgentemente de maior representatividade política para alcançar o respeito que tanto necessita na sociedade brasileira, e com isso alcançarmos uma referencia para os mais jovens trazendo a esperança para um futuro melhor para os mesmos.
Minhas propostas são: adequar o mercado de trabalho com a maior participação de um afrodescendente; lutar pela valorização da diversidade étnica e ações afirmativas; uma educação de melhor qualidade e voltada, principalmente, para a preservação de nossa juventude contra as drogas.
Afropress Como acompanhou o debate sobre o Estatuto da Igualdade Racial aprovado e qual a sua posição a respeito?
Ludovico – Foram 10 anos de luta e teve que haver um acordo com a bancada ruralista, o Estatuto, em minha opinião, ficou um pouco desfigurado principalmente na questão dos quilombolas. Surge daí o que salientei na pergunta anterior, a pouca representatividade política que temos foi, sem dúvida, um dos fatores determinantes para que não atingíssemos nossos anseios com maior êxito. Pergunto: O relator do projeto pensou como negro?
Afropress – Qual a sua posição em relação às cotas e ações afirmativas e se considera necessário o aperfeiçoamento do Estatuto aprovado e recém-sancionado pelo Presidente da República?
Ludovico – Totalmente a favor, acredito que a nossa luta é desigual começando pela Escola Pública que deixa muito a desejar; o investimento é precário, principalmente, no corpo docente pela falta de estimulo, carga horária excessiva e baixa remuneração. O aluno sai em desvantagem. Temos exceções, é claro, mas aí esbarra no fator econômico. Como esse aluno vai se manter no avanço dos estudos? Num primeiro momento a aprovação do Estatuto tem sua relevância, agora faz se necessário uma ampla discussão para o seu aperfeiçoamento.
Afropress – Como se posiciona em relação aos assassinatos de jovens negros na cidade de S. Paulo, que ganharam a mídia com a morte dos dois motoboys e mais do ajudante de pedreiro Cristiano da Silva, nas mãos da Polícia Militar?
Ludovico – Posso falar com propriedade, pois sou policial civil. Antes de entrar na carreira eu tinha uma dúvida, se havia ou não racismo; hoje com mais de 20 anos de serviço tenho a certeza que existe.
As instituições são perfeitas, porém imperfeitos são os membros que as compõem que advêm de toda classe da sociedade. Muitos ainda não admitiram que a nossa raça está atingindo conquistas até então inimagináveis para aquelas pessoas ainda acostumadas às histórias da caça ao negro fugitivo.
Muito tem se feito para melhorar o processo de ensino e conduta dos policiais, porém faz se necessário uma vigilância da sociedade. Nas Academias de Polícia o curso de direitos humanos é ministrado à exaustão, porém, no dia a dia o policial, com stress do trabalho, aumento crescente da violência, problemas salariais etc, o faz esquecer os princípios que lhe foram ensinados, surgindo ai os casos aqui citados. Não que seja um fator de desculpa para tal ato, mas que de algum modo tem a sua contribuição.
Afropress – Fale um pouco de sua trajetória pessoal e política e na importância da eleição de candidatos negros e antirracistas nestas eleições.
Ludovico – Sou filho de uma família humilde, minha educação foi mesclada em escolas públicas e particulares. Minha inclusão se deu devido ao esporte que facilitou e muito.
Como citei anteriormente, a eleição de candidatos negros e antirracistas, principalmente nessas eleições, corresponde o futuro de uma geração. Sou Bacharel e pós-graduado em Direito Civil; trabalho voluntariamente como educador entre os jovens, realizando palestras de educação moral e cívica e atividades de prevenção ao uso de drogas.
Sou ex-Presidente do Lions Clube SP Pompéia, ex-Presidente de Divisão e Região da Associação Internacional de Lions Clube; Comendador da Ordem do Mérito Cívico e Cultural; Conselheiro do Centro Cultural Africano; Fundador da AIPESP e Diretor de Relações Publicas;
Também sou Diretor Presidente por duas gestões da Ação Local Cásper Libero II da ONG Viva o Centro; Formado em Gestão Estratégica pela SENASP em Política e Estratégia pela ADESG. Presidente de Ética e Disciplina do Diretório do PTB/VL Brasilandia; tenho Curso de Prevenção ao uso indevido de drogas – Capacitação para Conselheiros e Lideranças Comunitárias, pela Universidade Federal de Santa Catarina.
Afropress – Faça as considerações que julgar pertinentes.
Ludovico – De uma forma secundária, ainda sou visto como um político que não é esquerdista, como se o nosso movimento tivesse lado. Temos que preencher todos os espaços vazios, nesta mesma linha de pensamento surgem os conflitos. Pergunto: Se a minha coligação partidária é vitoriosa nas eleições vou ficar isolado do processo?
Quero agradecer a oportunidade e o espaço democrático aqui cedido. Podem contar comigo, nunca esquecendo que devemos nos posicionar sempre, apoiando na formação de políticos negros em qualquer partido que eles estejam.

Da Redacao