S. Paulo – O apresentador, cantor e empresário José de Paula Neto, Netinho, apresentou ontem em coletiva à Imprensa, no Hotel Blue Tree, da Faria Lima, o Projeto da TV da Gente, que entra no ar, no dia 20 de novembro deste ano – Dia Nacional da Consciência Negra.
A montagem da infra-estrutura do canal envolve um investimento de R$ 12 milhões, dos quais 25% pertence ao BAI – Banco Angolano de Investimentos. A JPN Produções, empresa de Netinho, entrou com a outra parte dos recursos em parceria com empresários angolanos.
Com imagens geradas a partir de Fortaleza, Ceará, transmitidas inicialmente para o Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Porto Alegre, a nova emissora terá seus estúdios no espaço onde funcionava a TV Manchete, no bairro do Limão.
Netinho também apresentou os primeiros contratados da emissora, entre as quais, a jornalista Conceição Lourenço, ex-editora da Revista Raça, responsável pela Coordenação Geral de Jornalismo, o Secretário Hédio Silva Jr., que apresentará um talk show sobre questões jurídicas, e a radialista Cláudia Alexandre, que será âncora do telejornal.
Também foram apresentados André, do BR ‘Oz, que apresentará programa para a juventude, Cíntia Raquel, que terá um programa para crianças e Gleide Xavier e Kikinha, irmão de Netinho, que apresentarão um programa dedicado ao samba e a música brasileira.
Para Netinho, a TV da gente é a realização de um sonho e representará a verdadeira reparação. “Se somos 50% da população brasileira é mais do que legítimo. A nossa TV não será racista, nem preconceituosa: terá a pluralidade racial brasileira. Não será só de negros é também de muitos brancos. Vamos acabar com a invisibilidade da nossa raça na televisão. Não vamos cair no erro que a TV brasileira incorre há 50 anos. Vamos mostrar o Brasil”, disse.
Segundo o apresentador, com uma programação variada e com forte presença do jornalismo na grade, a TV da Gente será um canal em que o negro “não será mostrado só com arma na mão”. “Nós não temos só pagodeiros, marginais, em nossa população. Nós temos também famílias negras bem sucedidas, nós temos jornalistas e atores maravilhosos que poderiam estar em qualquer canal de TV, mas que não têm chances na atual TV brasileira”, acrescentou.
Na entrevista, ao responder a pergunta do repórter Wallace Nunes, da Gazeta Mercantil sobre o volume do investimento, o apresentador admitiu que é pequeno “mas é preciso dar o ponta pé inicial”. “É um risco sim, é capital próprio que estou arriscando, mas tenho certeza de que vamos estar sorrindo em algum tempo e felizes sempre que lembrarmos como começamos”.
Ele disse que ainda não está definido qual o canal em UHF (tv aberta) que a TV da Gente terá em S. Paulo, o que ficará definido em, no máximo, uma semana, e informou que o contrato com a Record para apresentar o Domingo da Gente, vai até maio do ano que vem. Ao falar do seu contrato com a Record, Netinho revelou que, no início deste ano, negociou uma alteração contratual por conta das dificuldades levantadas pelo departamento comercial da emissora. “O departamento comercial disse que estava difícil vender o programa a patrocinadores. Eu propus que não me pagassem nada, me cedessem apenas o espaço. Resultado: estou ganhando três vezes mais do que ganhava. É provável que eu continue na Record, mas vou pedir pra apresentar alguma coisa no meu canal. Tomara que possa continuar”, concluiu.
Em resposta a pergunta da Afropress Netinho disse que a participação da comunidade negra, se dará por intermédio de um Conselho Consultivo a ser montado e coordenado pelo professor Dagoberto José, da Unesp – Universidade Estadual Paulista.

Da Redacao