Santos/SP – O novo presidente do Santos, Modesto  Roma Júnior, elogiou e manifestou apoio nesta terça-feira (24/03), a campanha “S. Paulo contra o Racismo no Esporte”, desencadeada pelo Governo do Estado, por meio da Coordenação de Políticas para as Populações Negra e Indígena da Secretaria da Justiça.

A campanha também já tem o apoio de outros grandes clubes de S. Paulo, entre os quais o S. Paulo, Corinthians, Palmeiras e a Ponta Preta de Campinas. Roma recebeu a professora Elisa Lucas Rodrigues, na sala da presidência, em Vila Belmiro, e disse que considera necessária e fundamental esse tipo de iniciativa para que se acabe com o que ele chamou de “preconceito” no futebol.

A reunião, da qual também participaram o vice-presidente, Cesar Augusto Conforti, e o diretor Augusto Froes, e os assessores parlamentares Fernando Shefer e Sandra Ramos, foi articulada por intermédio do gabinete do vereador Ademir Pestana, do PSDB de Santos, a pedido do advogado e jornalista, editor de Afropress, Dojival Vieira.

O jornalista foi colega de Roma no Curso de Jornalismo da Faculdade de Comunicação (FACOS), da Universidade Católica de Santos – turma de 1.980.

Roma lembrou com carinho dos tempos em que ambos militaram no movimento estudantil (ele era presidente da Atlética e o editor do Diretório Acadêmico Júlio de Mesquita Filho, da Faculdade de Comunicação) e disse que o Santos também quer ser protagonista na campanha.

Ele sugeriu, inclusive, a realização de reuniões de sensibilização sobre o racismo e o que ele considerou o mal maior – o preconceito, de todo o tipo – com o elenco, tanto o profissional quanto as equipes da base.

Campanha

Depois de fazer uma exposição dos objetivos da campanha, Elisa convidou o presidente do Santos para o lançamento, que deve acontecer no Palácio dos Bandeirantes, com a presença do governador Geraldo Alckmin, e destacou a importância da participação efetiva do clube na luta contra o racismo e o preconceito. “O esporte e, em particular, o futebol, é um grande canal de união e mobilização da população e essa é uma parceria que é benéfica para todos”, destacou.

“Tivemos a grata satisfação de sermos recebidos pelo presidente do Santos, doutor Modesto Roma. Falamos amplamente sobre a questão da discriminação nos campos de futebol e sentimos total apoio dele a um trabalho de sensibilização envolvendo torcida e atletas”, afirmou, ao final da reunião, desmonstrando otimismo.

Tricampeão Clodoaldo

O ex-jogador santista e tricampeão mundial na Copa de 70, Clodoaldo (Clodoaldo Tavares Santana), que integrou o Santos numa época em que o ataque era todo formado por negros – Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe), também participou do encontro e, depois de ouvir as exposições de Elisa e do editor de Afropress,  contou que a incidência do racismo nos campos não é recente.

“Muitas vezes marcávamos um gol e ouvíamos comentários preconceituosos de atletas do time adversário. Nossa reação era marcar o segundo e o terceiro e muitas vezes também ouvíamos. “Nós só vamos ganhar quando eles [os negros] morrerem”, relatou.

Segundo Elisa, Clodoaldo, um dos maiores ídolos do Santos (o único clube a que pertenceu) e da seleção brasileira, deu uma aula de patriotismo e cidadania e mostrou-se um ser humano muito consciente dessa questão no Brasil.

Da Redacao