A reunião acontece há exatos 30 dias, do Dia Nacional da Consciência Negra, quando o Movimento Brasil Afirmativo e entidades do movimento negro e anti-racista pretendem realizar na Avenida Paulista a maior manifestação negra já vista em S. Paulo. O Aristocrata – um dos mais importantes clubes negros de S. Paulo, ainda em atividade – fica na Rua Álvaro de Carvalho, 118 – 1º andar -, próximo à estação Anhangabaú do Metrô.
No ano passado, cerca de 20 mil pessoas tomaram a avenida, numa manifestação conjunta que reuniu a Parada e a III Marcha, organizada por lideranças da UNEGRO e ligadas a Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN).
O ponto de partida da Parada será o mesmo este ano: às 12h, do vão do MASP da Avenida Paulista. O roteiro a ser seguido ainda será discutido neste sábado porque a proposta é que a manifestação seja unitária, com a mesma agenda, mesmo horário de saída e o mesmo percurso. A proposta de unidade ainda enfrenta resistências por parte de alguns setores, que não aceitam uma manifestação com amplitude suficiente para aglutinar todos os negros e não apenas os que militam em partidos e ou organizações.
Polêmica inútil
Segundo o jornalista Dojival Vieira, da Coordenação do Movimento Brasil Afirmativo, a polêmica sobre se será Marcha ou Parada é inútil e inócua. “Pura perda de tempo. Quem quiser ir como IV Marcha, que vá. Quem se identifica como Parada Negra, vá como Parada Negra. O importante é que vá. O resto é conversa fiada de quem quer ver “pelo em ovo”, ou não consegue esconder mal disfarçadas idiossincrasias homofóbicas”, afirmou, acrescentando que as divergências partem de setores temerosos de perder o controle que julgam ter sobre o Movimento Negro.
Na reunião do Aristocrata será discutida a forma como os ativistas pretendem mobilizar os negros da periferia de São Paulo e das cidades da região metropolitana. A proposta é que sejam convidados a encher as ruas no feriado de 20 de novembro, os negros de todas as tribos – a juventude, as religiões de matriz africana, os evangélicos, os empresários, o hip hop e a capoeira.
A Parada também defende a participação na manifestação dos setores anti-racistas da sociedade solidários à luta do povo negro por justiça e igualdade. O procurador Pedro Falabella Tavares de Lima, por exemplo, já disse que estará presente na Parada e está convidando colegas do Ministério Público.
A Parada também ganhou apoio do Grupo Dandaras, de estudantes negras de Comunicação das Faculdades Cásper Líbero, e da organização da Feira Preta, que reúne empreendedores afro-brasileiros. Adriana Barbosa, organizadora da Feira, garantiu apoio a Parada e disse que estará na Paulista.