S. Paulo – Cerca de 30 mil pessoas participaram da Parada Negra de São Paulo, que incluiu concentração no vão do MASP, falas de lideranças do movimento negro e deputados do PT e do PSol, e uma Marcha que Marcha que percorreu toda a Rua Consolação sendo encerrada por volta das 18h, em frente ao Teatro Municipal, na Praça Ramos.
A estrela da concentração foi Fred Hampton Jr. filho de Fred Hampton, um dos líderes da Organização norte-americana Pantera Negras, assassinado pelo FBI. Hampton, acompanhado de um intérprete, disse que não há democracia racial no Brasil e pediu vivas a “Zumbi”, em inglês.
Paulista e Consolação
Depois de quase cinco horas em frente ao MASP, sem incidentes, os manifestantes ganharam quase toda a extensão da Paulista, acompanhados por uma fileira de policiais militares que reservaram uma faixa para o tráfego de veículos, e depois a Consolação. Em um caminhão de som e três trios elétricos, grupos musicais de negros se apresentaram em toda a extensão, animando as pessoas que saíram às janelas. Muitas aplaudiam e aprovavam as falas das lideranças, condenando o racismo e pedindo a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, das cotas e ações afirmativas e a instituição do 20 de Novembro como Feriado Nacional.
Estatuto
Num caminhão de som – cedido pelo Sindicato dos Comerciários – o presidente da Comissão do Negro e Assuntos Anti-Discriminatórios da OAB/SP, Marco Antonio Zito Alvarenga, fez um chamado. “A nossa luta pela aprovação do Estatuto é de toda a sociedade brasileira. O Brasil não pode mais conviver com essa situação de desigualdade e exclusão da população negra”; afirmou.
Também o coordenador do Fórum SP da Igualdade Racial, Frei Antonio Leandro da Silva, chamou a atenção das pessoas que estavam na Paulista quando conclamou a unidade em defesa do Estatuto. “A aprovação do Estatuto é urgente para que o Brasil seja um país com igualdade de oportunidades para todos”, afirmou.
Já na Consolação enquanto dançavam e gritavam palavras de ordem, militantes do Movimento Brasil Afirmativo e das várias entidades que convocaram a Marcha, se confraternizavam demonstrando que a disputa por espaço de poder das lideranças, não interfere quando a união se dá na prática em torno de bandeiras comuns. Ativistas de várias cidades da região metropolitana como Itapecerica, Barueri, Suzano e Santa Isabel, entre outras, além de cidades do interior como São Carlos e Limeira estiveram presentes.
Incidente e confraternização
A presidente do Conselho da Comunidade Negra do Estado, Elisa Lucas vestiu a camisa da Parada Negra e participou durante todo o percurso, o mesmo acontecendo com Elisa Gabriel, presidente do Conselho de Limeira, que fez o trajeto à pé da Paulista à Consolação.
O único incidente ocorreu próximo ao Largo do Arouche, em um prédio do final da Consolação, quando água foi jogada de cima do prédio, molhando algumas pessoas. A Marcha continuou e ninguém soube de onde veio a atitude hostil, de algum racista inconformado.
O clima da Parada-Marcha era dado pela presença de jovens negros e brancos confraternizando-se pela música e do ativista Anthony Aparecido (foto), de Mauá, no Grande ABC, que compareceu com a mulher, acompanhado de uma filha de um ano e de um bebê de alguns meses, fazendo a percurso até a Praça Ramos. “Este é um dia importante prá nós. Não podia deixar de vir”, afirmou.
A manifestação terminou com a apresentação da bateria da Escola Quilombo, escola que resgata as tradições autênticas do carnaval e do samba – em frente ao Shopping Light. Feliz, Elenice de Oliveira, militante há décadas do Movimento Negro, concluía feliz. “Valeu por hoje. Agora é preparar para o ano que vem”.

Da Redacao