S. Paulo – Reunidos neste sábado (06/10), no Núcleo de Consciência Negra na USP, militantes e simpatizantes do Movimento Brasil Afirmativo decidiram ampliar os contatos e intensificar a mobilização para a Parada Negra deste ano, marcada para o dia 20 de Novembro – Dia Nacional da Consciência Negra – na Avenida Paulista.
“Vamos realizar uma manifestação como São Paulo nunca viu. Queremos despertar a juventude negra da periferia, quase sempre esquecida, e que cotidianamente vem sendo vítima de chacinas e de matanças para que transforme o 20 de Novembro, numa data de luta e resistência, mas também de afirmação de nossa identidade como negros neste país racista”, afirmou João Bosco Coelho, da Coordenação do Movimento.
Coelho lembrou que, segundo dados da última Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio do IBGE, só no último ano, 1,3 milhão de pessoas passaram a se declarar negras. “Infelizmente algumas lideranças que estão contra a unidade, querem apenas a condição de símbolos, não atuam em pról do movimento como um todo. O que vamos dizer para essas pessoas, que propostas teremos para que estejam conosco na superação do racismo? Precisamos de lideranças com capacidade de falar para todos, para todos os segmentos da sociedade, organizada ou não”, afirmou, questionando a postura de alguns setores que resistem à proposta de uma manifestação unitária.
Na reunião ficou decidida a criação de uma coordenação que tomará as providências visando à liberação do espaço da Avenida Paulista (a Prefeitura tem criado resistências nesse sentido) e todas as medidas, visando a transformação da Parada em um grande momento de afirmação do povo negro e dos setores anti-racistas de São Paulo.
A embaixadora do Samba de São Paulo, Maria Helena, da Escola de Samba Unidos do Peruche, se comprometeu a fazer a fazer a ligação com as demais Escolas visando à participação do mundo do Samba na Parada. A partir desta semana também serão enviados releases regularmente à Imprensa. Cíntia Gomes e Gabriela Watson, do Grupo Dandaras – alunas da Faculdade de Comunicação da Cásper Líbero – se integraram à coordenação e farão textos de divulgação da Parada.
Fórum e Estatuto
Na reunião, os militantes do Movimento também avaliaram como positiva a entrega em Brasília às autoridades dos três Poderes da República, das 100 mil assinaturas em favor da aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, PL 73/99 e PEC 02/06, que cria o Fundo de Promoção da Igualdade Racial.
Daniela Zeidan e Isaque Alves, ambos da Comunidade Pão da Vida, lembraram que o mais importante é que a coleta começou no ano passado e teve continuidade.”É importante termos conseguido chegar ao objetivo de ir à Brasília com a meta cumprida”, disse Alves.
Zeidan destacou o fato de que o Fórum SP da Igualdade Racial, que reúne a Rede Educafro, Sindicato dos Comerciários, Comissão do Negro e Assuntos Anti-Discriminatórios da OAB, Instituto do Negro Padre Batista e várias outras entidades, é resultado do movimento de mobilização da sociedade, iniciado pelo Brasil Afirmativo. “Interessante notar que quando a coisa é boa, é positiva, ela se replica naturalmente em outras maiores”, afirmou, fazendo referência ao Fórum SP, que hoje lidera a mobilização pela aprovação do Estatuto.
Os ativistas decidiram fortalecer a coleta, ampliando para outras cidades do Estado em que o movimento já está presente, comprometendo-se com a passagem de listas do Abaixo Assinado, na 2ª Jornada de Mobilização e Luta iniciada na semana passada e que tem como objetivo conseguir mais 100 mil assinaturas até o 20 de Novembro na Parada Negra. Um outro ponto de pauta discutido foi a proposta do logo do Movimento Brasil Afirmativo, elaborado pelo publicitário e webdesigner Gabriel Silveira e que será escolhido entre duas propostas em votação na Internet.
A próxima reunião do Movimento Brasil Afirmativo para discussão da Parada Negra e da mobilização em favor do Estatuto será no dia 20 de outubro, das 10h às 12h, no Aristocrata Clube, Rua Álvaro de Carvalho, 118, Centro (próximo ao Metrô Anhangabaú).

Da Redacao