S. Paulo – Dar prioridade a capital e a região metropolitana de São Paulo na mobilização e convocação para a Parada Negra do dia 20 de Novembro, mas também estimular a organização de caravanas do interior do Estado, foram algumas das definições da reunião deste sábado das lideranças e ativistas do Movimento Brasil Afirmativo, no Aristocrata Clube, centro de S. Paulo. A Parada pretende reunir na Avenida Paulista, pelo menos três vezes o número de participantes da anterior, realizada no ano passado, que mobilizou 20 mil pessoas, segundo os organizadores. O ponto de encontro está marcado para as 12h, no vão do MASP na Paulista.
A reunião também serviu para definir a organização da Parada, que terá uma coordenação geral e comissões e ou grupos de trabalho, que ficaram encarregados de mobilizar áreas específicas, como por exemplo, as Escolas de Samba, que ficou a cargo de Maria Helena e Waldir Brito, da Escola Rosas de Ouro, respectivamente, Embaixatriz e Embaixador do Samba de S. Paulo; o Hip Hop, sob a responsabilidade dos Rappers Nego Rauls, Nego Chic e Edson, do Núcleo de Consciência Negra na USP; os evangélicos, que serão mobilizados por uma Comissão formada pelos ativistas Isaque Alves, Luiz de Jesus e Leandro.
Também foram tirados grupos que vão se encarregar da Comunicação, de contatos institucionais, integrado pela advogada Regina Silveira, da OAB/SP, inclusive visando autorização para uso da Avenida Paulista. Esta semana será entregue ofício à Prefeitura pedindo a liberação da via pública, bem como a infra-estrutura básica para o evento. dos Contatos com as cidades da região metropolitana e com os evangélicos, cuja participação na Parada é vista como muito importante. “A Parada é um movimento de todos, ecumênico, amplo. Do mesmo modo como teremos as religiões de matriz africana, também teremos os evangélicos, os espíritas, os sem-religião, inclusive porque há negros em todas as religiões”, afirmam os organizadores.
Uma outra preocupação dos organizadores da Parada é com a unidade. Os organizadores da IV Marcha serão procurados mais uma vez para a definição de uma agenda e um roteiro unitários já que também estão convocando para o mesmo local e mesmo horário da Parada, ou seja, às 12h, no vão do MASP. “A Parada é um movimento de todos. Amplo, aberto, democrático. Os negros militantes e os negros não militantes. É espaço, inclusive, para os brancos e pessoas de outras etnias que já compreenderam a necessidade de dizer não ao racismo”, afirma Dojival Vieira, da Coordenação do Movimento Brasil Afirmativo.
Na reunião ficou decidido que, como só falta um mês, daqui para a frente, haverá reunião da organização todos os sábados. A reunião deste sábado acontece, das 10h às 12h, no Conselho da Comunidade Negra do Estado de S. Paulo, à Rua Antonio de Godoy, 122, próxima ao Largo do Paissandu, centro.
Interior
A convocação para a Parada Negra deste ano pretende priorizar o cinturão metropolitano que abrange as 39 cidades da periferia da Grande S. Paulo. Algumas dessas cidades como Itapecerica da Serra e Barueri, já garantiram presença organizada. Segundo Raquel Trindade e Denis Oliveira, de Itapecerica, dois ônibus já estão garantidos e agora será intensificada a convocação de todas as cidades da região Oeste. De Barueri, o jornalista Gerson Pedro, da ANID – Associação Negra de Integração e Desenvolvimento – garantiu , que também virão ônibus.
A região do Alto Tietê, segundo Inês da Silveira virão representantes. A Comissão de contatos com a região metropolitana, formada por Gerson Pedro, Inês da Silveira, e Raquel Trindade, ficou responsável por procurar as entidades dessas cidades.
No interior também já estão sendo organizadas caravanas. O presidente da Câmara Nacional de Participação e Desenvolvimento dos Afro-Brasileiros, de São Carlos, garantiu que 90 pessoas já estão certas. “Pela primeira vez São Carlos estará com 2 ônibus na Parada Negra 2007. No ano passado eu fui sozinho e no ano que vem tenho a certeza que levaremos o maior nº de negros e negras com a bandeira da CNPDAB”, afirmou.
Cassiano quer fazer uma campanha na região para as cidades levarem representantes e caravanas para a Parada Negra. “Que JAH (Deus) nos abençoe nestas caminhadas”, concluiu.

Reportagem Afropress: Foto: Manifestantes durante a Parada Negra 2006 na Avenida Paulista.