De todos os fatores analisados, o painel concluiu que a parentalidade pobre foi o fator-chave no desencadeamento do caos e, apesar de reconhecer também os casos de puro banditismo e oportunismo nos motins, o documento conclui que estes estão longe de ser as causas mais profundas dos mesmos.
A questão racial, apontada apressadamente por alguns setores e opinadores como causa maior dos motins em resultado da morte, em 4 de Agosto de 2011, do jovem negro Mark Dugan por policiais armados em Tottenham, norte de Londres, não figura do relatório hoje tornado público, um dos vários que investigam as causas dos motins. Um documento interino publicado em novembro passado apontava, no entanto, que os distúrbios iniciais haviam sido desencadeados pelo fatídico acontecimento.
O relatório hoje publicado, encomendado pelo vice-primeiro ministro, o liberal-democrata Nick Clegg, integrando membros dos três principais partidos políticos e formado por especialistas dos setores público e do voluntariado, identificou de 500,000 ”famílias esquecidas” que se dizem abandonadas para bater no fundo da sociedade.
Para Darra Singh, o presidente do painel, é preciso ”dar a todos uma participação na sociedade. Quando as pessoas sentem que não têm uma razão para ficar longe dos problemas, as consequências para as comunidades podem ser devastadoras como vimos em agosto passado.”
Por seu turno Christian Guy, do think tank Centre for Social Justice (Centro para a Justica Social) afirmou ao jornal Daily Mail que ”os motins foram um tiro de aviso vergonhoso de uma geração à deriva, que é cortada da maioria da sociedade.”
Entre outras recomendações, o relatório urge que as crianças e os jovens sejam protegidos da publicidade que visa o consumo excessivo e que as empresas se envolvam mais com as escolas visando a promoção de empregos para a juventude. O documento também critica duramente as escolas que excluem os alunos por razões erradas e recomenda penalizações pesadas para aquelas que não os conseguem ensinar a ler e a escrever corretamente.
Estima-se que cerca de 15.000 pessoas estiveram ativamente envolvidos nos distúrbios que deixaram cinco mortos, dezenas de feridos e um prejuízo estimado em 500 milhões de libras esterlinas.
O título original do artigo é “Parentalidade pobre culpada pelos tumultos do verão passado na Inglaterra”.

Alberto Castro