Brasília – Os deputados João Grandão (foto), do PT de Mato Grosso do Sul, e Reginaldo Germano, do PP da Bahia, são os dois parlamentares negros de maior destaque que figuram na lista dos 72 que a CPI da “Máfia dos Sanguessugas” está recomendando a cassação do mandato. Na terça-feira, 22/08, a denúncia será lida no Conselho de Ética e o processo de cassação formalmente aberto.
Grandão é, inclusive, coordenador do Nupan – Núcleo de Parlamentares Negros do PT – na Câmara Federal. Germano teve papel destacado na discussão do Estatuto da Igualdade Racial, que tramita no Congresso.
Os dois, que são candidatos à reeleição, terão até terça-feira para decidir se renunciam aos mandatos e tentam preservar os direitos políticos, expediente que já começou a ser utilizado por outros envolvidos.
Todos negam participação e alegam inocência, porém, a CPI, por intermédio de um trabalho ágil de investigação levantou provas de que eram ativos integrantes da “Máfia”. O esquema consistia na apresentação de emendas e na compra de ambulâncias superfaturadas pela empresa Planan, de Mato Grosso, do empresário Luiz Antonio Vedoin. Os parlamentares apresentavam as emendas e recebiam a propina em valores variáveis. Milhões de Reais foram desviados. Em alguns casos assessores também foram usados como “laranjas”.
O esquema foi descoberto pela Polícia Federal depois da abertura de mais de 140 inquéritos envolvendo 76 municípios. Segundo os inquéritos mais de mil ambulâncias foram compravadas, no valor médio de R$ 100 mil, o que dá uma idéia do tamanho do rombo nos cofres públicos. Foram expedidos mandados de prisão de servidores públicos, empresários, e assessores parlamentares.
Além dos 69 deputados, três senadores estão envolvidos e também poderão perder os mandatos.

Da Redacao