S. Paulo – Mesmo no Partido dos Trabalhadores (PT), que é considerado o mais avançado no trato do tema das cotas para negros, tendo discutido o assunto no seu último Congresso realizado no ano passado, o assunto ainda provoca desconforto.
Segundo o ex-Secretário Estadual de Combate ao Racismo do PT, em S. Paulo, Cláudio Silva, Claudinho, as cotas aprovadas no Congresso só valem para a disputa de cargos na direção partidária. “Ainda não temos cotas nas eleições de ano para vereador”, afirma.
Até mesmo a paridade para mulheres, aprovada pelo Partido (50%) só passa a valer a partir das eleições de 2014.
No PC do B, que também integra a base governista, o coordenador geral da corrente negra do Partido – a UNEGRO – historiador Edson França, admitiu que o tema não entrou na pauta para a escolha dos candidatos nas eleições deste ano.
Oposição
Se os partidos governistas – PT, PC do B, PSB e PMDB – ignoram as cotas, na oposição – PSDB – a situação não é diferente. Cotas para candidatos, admitem as lideranças negras tucanas, permanece tema fora da agenda.
Também em Partidos de Oposição, auto-proclamados de esquerda como o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), o silêncio é a tônica, quando se trata de cotas para negros.
Segundo Joselício Júnior, Juninho, Juninho, da coordenação do Círculo Palmarino, e do setorial de negros do PSOL, o Partido “não tem nenhuma definição ainda sobre o tema”. “A única cota no Partido é de mulheres que é de 30%, em todas as instâncias. Em 2014, a proposta é que seja de 50%”, afirma.
Juninho atribui a ausência de cotas para negros no PSOL “primeiro a dificuldade do próprio setor de negros e negras se articular dentro do Partido”. “Nós ainda não provocamos esse debate, por isso que não saiu ainda. O que o partido tem valorizado são os setoriais; é um partido recente que ainda está em fase de estruturação. Tem a Revista Negra e o debate está avançando dentro do Partido”, acrescenta.
Ele acredita que as cotas só acontecerão quando forem instituídas em Lei como no caso das mulheres, mas reconhece que as próprias legendas poderiam tomar a iniciativa por meio de suas instâncias internas

Da Redacao