Brasília – Passados mais de 60 dias desde que estudantes africanos tiveram seus apartamentos incendiados por bandos racistas de Brasília, a Polícia Federal, que vem se destacando pelo desmantelamento e prisão de quadrilhas, como no caso da “Operação Navalha”, ainda não conseguiu chegar aos criminosos. O atentado aconteceu no dia 28 de março, durante a madrugada na Casa do Estudante da UnB, na Asa Norte, bairro de classe média de Brasília.
Afropress tentou durante toda a semana, sem sucesso, falar com o delegado Francisco Serra Azul, que preside o inquérito do caso. A Assessoria de Comunicação da PF informou que Serra Azul estava de viagem para S. Paulo e não soube informar se o inquérito está concluído ou se a autoridade o prorrogará por mais trinta dias.
A lentidão da PF fez com que a deputada Janete Pietá, de S. Paulo, secretária da Frente Parlamentar pela Igualdade Racial, na Câmara Federal, e o senador gaúcho, Paulo Paim, ambos do PT, encaminhassem ofício à Superintendente da Polícia Federal, Valquíria Souza Teixeira de Andrade, em que pedem informações quanto ao andamento das investigações e providências.
Os parlamentares lembram que “em reunião no dia 03 de maio, a PF havia conduzido mandados de busca e apreensão nas dependências da universidade” e que os exames e a perícia feita “orientariam os passos seguintes das autoridades”. Até o momento, ninguém informou a que conclusão chegou à perícia no material no material apreendido.
O senador Paulo Paim manifestou a Afropress, por telefone, sua preocupação quanto ao andamento das investigações e admitiu ter conhecimento de que “há uma tendência” à descaracterização da conotação racial do crime, para torná-lo apenas um caso de dano ao patrimônio, onde as penas, são muito mais leves. O ofício à superintendente da PF, foi encaminhado com cópia ao reitor da Universidade de Brasília Timothy Mulholland.
A lentidão da PF em apurar o caso não é recente. O delegado que preside o inquérito levou exatos 35 dias, desde o atentado para, munido de um mandado judicial, montar uma operação em busca de indícios do crime na Casa do Estudante.
Na ocasião (dia 05/maio), policiais ocuparam o Bloco B, onde fica o alojamento dos estudantes e recolheram objetos pessoais – computadores, roupas íntimas e pequenas porções de maconha, além de uma arma em forma de estrela conhecida como shuriken. Também foram recolhidas amostras do DNA de suspeitos, como o estudante de Engenharia Florestal Wagner Guimarães, e Roosevelt Reis, do Curso de Química.
Sem pressa
O ritmo da PF passou a ser seguido também pela Universidade. O processo administrativo disciplinar aberto para apurar o envolvimento de estudantes no atentado, foi prorrogado por mais 30 dias, por determinação do reitor Mulholland, segundo informou à Afropress a Assessoria de Comunicação da UnB. O reitor se comprometeu a expulsar estudantes que comprovadamente estiveram envolvidos no atentado.
O ataque racista ocorreu no dia 28 de março e atingiu 14 estudantes de países como a Nigéria, Senegal e Guiné Bissau. Os apartamentos foram incendiados durante a madrugada, enquanto os estudantes dormiam. Nos depoimentos à PF foram apontados quatro suspeitos, entre os quais o estudante de Engenharia Florestal, Wagner Guimarães e Roosevelt Reis, do Curso de Química.

Da Redacao