Não imaginava sentir-me literalmente em casa, como ocorreu. Percorri dois distritos, algumas cidades e quase não tive tempo para turismo, embora tenha visitado a nascente do Rio Nilo e alguns sítios históricos da capital Kampala, como o Parlamento, o Palácio do Rei e a ExpoTurismo 2011. Rei? isso mesmo! A descolonização inglesa não foi suficiente para por fim aos reinados existentes naquela nação: um cidadão pertence socialmente a um reinado (há sete reinos no país) e politicamente a um distrito (onde se registra como eleitor).
A situação econômica é triste e desoladora, particularmente pela falta de acesso aos serviços básicos, como energia elétrica. Os bairros de Kampala realizam uma verdadeira rotatividade noturna para ter acesso à energia: quando um bairro possui energia, seu vizinho perde o acesso e vice-versa. Assim, há restaurantes em locais turísticos funcionando à luz de vela. O trânsito também é caótico, sem sinalização e com motoristas que parecem desconhecer normas básicas.
A educação pública é muito ruim e o acesso a educação privada é caríssimo para os ugandenses, cujo salário de um professor universitário gira em torno de trezentos dólares estadunidenses. O acesso à saúde pública também é deprimente, pois não há acesso a medicamentos ou procedimentos rotineiros. Apenas os procedimentos de urgência são pagos pelo governo.
Outro problema é a inflação, com uma moeda local (shiling ugandense) bem desvalorizada. Um dólar estadunidense equivale a cerca de dois mil e quinhentos shillings ugandenses (UGX). Entretanto, a corrupção e a impunidade estão em alta no país, apontando a primeira similaridade com o Brasil.
Encantei-me com Uganda pela simplicidade e alegria de seu povo, pela música, pelo sorriso e pela cordialidade. Passeando de carro pela cidade, é fácil se deparar com grupos de amigos tocando e cantando uma música suave, no estilo do que se ouve no Brasil, com um batuque alegre e gostoso. Em qualquer lugar, há motivo para alguém cantar, enquanto outros dançam.
A comida é deliciosa e bem ao estilo do nordeste brasileiro. Minha alimentação diária incluia muita fruta, principalmente banana, pois Uganda é o País das Bananas e, segundo minha tia Liege, eu sempre fui apaixonada por essa fruta. Também comia diariamente jaca, manga, melancia, abacaxi, maracujá, caldo de cana etc. Ainda havia em meu prato inhame, macaxeira, batata doce, banana comprida cozinhada e queijo coalho.
Daria para falar muito sobre como e porque matei as saudades de casa em Uganda, mas deixarei a curiosidade do leitor aguçada para que possam visitar esse rico e hospitaleiro país na região africana dos Grandes Lagos, com suas plantações de cana, florestas e gorilas.

Andrea Pacheco Pacífico