O racismo e supremacia branca brasileira não estão apenas fora de moda. São um atentado aos direitos humanos e uma afronta a CRFB/88. Um atentado aos princípios de igualdade e proporcionalidade. A maioria brasileira hoje, segundo o IBGE/IPEA é afrodescendente e tendência é que a percentagem de afrodescendentes aumente cada vez mais vez na população afrodescendente brasileira que é a maior do mundo.
A supremacia branca facilmente observável nos campos político, social e econômico ofende ao princípio de justiça e aproxima o Brasil perigosamente dos EUA e África do Sul do apartheid. Aumenta o fosso entre as etnias brancas e negras e impede que o Brasil tenha um desenvolvimento mais acelerado.
Nesse ambiente conturbado, os afrodescendentes encontram obstáculos que sem uma representação política é intransponível. Por mais que a etnia branca seja altruísta, por ser humana ela não atuará contra os seus interesses. Ela jamais aceitará que as ações afirmativas atinjam ou prejudiquem os seus privilégios. Como exemplo tomemos o Congresso Nacional e a Petrobrás.
No Congresso Nacional a representação afrodescendentes é de apenas 2% e, entre os cerca de 176 mil terceirizados da Petrobrás (contratados sem concurso público) a percentagem de afrodescentes é de cerca de 3%. Estes exemplos se dá em todos os espaços do Brasil. A etnia branca, que já não é majoritária, ocupa praticamente 98% de todo o espaço nacional. Aos afrodescendentes cabe míseros 2%. Nem mesmo nos EUA e na África do Sul houve tamanho apartheid.
É neste momento que diante da vitória de Barack Obama à Presidência dos EUA, e a comemoração de 20 de novembro da Consciência Negra e dia da morte de Zumbi em 1695, um grupo de entusiastas afrodescendentes sonham a construção de um partido de luta por um Brasil mutiétnico, de maioria afrodescendente, o PDTE, partido de todas etnias.
O PDTE é pensado como um partido democrata de combate ao racismo e todo tipo de discriminação, de construção de um Brasil multiétnico, democrata, fraterno, justo, pacífico, transparente, ético e dinâmico. Um país de oportunidades, em que as pessoas sejam julgadas pelo seu caráter e não pela cor de sua pele ou de suas diferenças. U Brasil que respeite o ser humano, o meio ambiente e a diversidade. Um pais sem medo de ser feliz.
A tarefa é gigantesca já que os afrodescendentes terão que vencer obstáculos legais e de descrença dos próprios afrodescendentes da possibilidade de serem senhores de seu destino de poderem ter sua representatividade política sem intermediação e tutela da supremacia branca. Mas, os tempos são de mudança. O próprio débâcle capitalista mostra que sem a cooperação de todos, o mundo ao invés de progredir pode piorar. E muito. É este ambiente de mudança, visível nos EUA, pela possível vitória de Barack Obama é que estimamos que em 2010 ou mais provável em 2014, o Brasil poderá ter um candidato afrodescendente com grande possibilidade de vitória. Só depende de nós, afrodescendentes de todo Brasil.
O título original do artigo é PDTE – Partido de Todas Etnias, por um Brasil multiétnico, democrático, justo e ético.

Angelo Fernandes