Temos fotos que o comprovam este fato, assim como um dossiê produzido pela própria Câmara Municipal, já que o evento foi gravado e transcrito pela Câmara Municipal. Documento este que aguarda por ser publicado.
No ano de 2003, esteve aqui no Brasil uma representante da ONU (Organização das Nações Unidas) chamada Doutora Asma Jarangir, que veio para observar as “execuções sumárias” praticadas no país, estas que para nós do CRENJA, nada mais é que um dos aspectos do genocídio que se abate contra nosso povo.
Agora, convém salientar, a “violência policial” não é o total, é apenas uma ponta do enorme iceberg que envolve o problema. Ela não tem o extermínio de nosso povo como um fim.
A violência policial tem por objetivo, apenas, amedrontar e manter o negro brasileiro longe do centro do urbano, e mantê-lo, sim, nas periferias mais longínquas, bem longe das vistas dos turistas, pois as propagandas de um “Brasil Branco” ainda são disseminadas pelo mundo afora.
A “polícia pacificadora”, no Rio de Janeiro, por exemplo, tem por objetivo expulsar os negros das favelas no centro da Cidade do Rio de Janeiro, e ocupá-las pela população branca, mesmo que pobre. Neste caso, como todos os outros, ficarão apenas alguns mestiços… Para que eles possam dizer que aqui não há “racismo”…
E ainda de quebra ficarão com as nossas Escolas de Samba, estas que tanto nos custou mantê-las, em períodos anteriores e adversos, e que hoje deveriam ser a nossa principal fonte de renda. Investimos no Turismo, e fomos espoliados.
Ainda no ano de 2003, na impossibilidade de contatar a acima referida representante da ONU encaminhamos ao presidente da República, o Senhor Luiz Inácio Lula da Silva, a denúncia do crime que ainda se abate por sobre e contra nós, o GENOCÍDIO, e nos flagela. E recebemos algum tempo depois a sua reposta. A de que ia encaminhar a denúncia para os “órgãos competentes” e tomar a devida media cabível para o caso… E estamos “aguardando” estas até hoje.
O fato concreto é que o crime continua ocorrendo até os dias de hoje, quando ele, o presidente, sai do cargo-público e tenta eleger a sua sucessora… Só esperamos, caso ela ganhe, que ela cumpra com o compromisso que ele assumiu conosco e resolva a questão a contento.
Como dissemos, a violência policial não é o total da “operação final” – como a chamava Fernando Henrique Cardoso -, que, aliás, não começou ontem. O genocídio do negro brasileiro data do ano de 1850. Quando foi decretado pelas classes políticas da época, e posteriormente ratificado por H. Roquete pinto, que divulgou um diagrama, em 1872 – e que já publicamos várias vezes em outras matérias – que dava o ano de 2012 como o ano D, quando a população negra brasileira seria reduzida à cifra ZERO – segundo ele. E mais tarde, dez (10) anos depois, em 1882, também o Imperador D. Pedro II ratificou, mudando apenas a data de consumação para: “200 ou 300 anos”.
O que acalentou Gobeneuo, seu genro, que havia vaticinado que: “O Brasil estaria condenado ao atraso eterno, devida a sua mistura de raça”. Ao que D. Pedro II respondeu asseverando: “Daqui a 200 ou 300 anos não haverá mais negros no Brasil”, e concluiu, “A miscigenação acabará com eles”. E palavra de Imperador é lei.
Lei esta que eles, os brancos, seguem a risca até hoje. Com apenas uma ressalva, “não falam”. Porquanto, além de ser um crime hediondo, ainda é pérfido.
Aqui no Brasil, como dissemos, o processo de genocídio contra o negro tem início nos anos de 1850, mas, no plano Internacional, o projeto é bem mais antigo. Data da Idade Antiga, iniciado pelos gregos e romano, quando estes começam a invadir o Norte D’África. Assim como podemos constatar na nota abaixo:
“O especialista militar, Karl Von Clausewitz, ofereceu a definição talvez definitiva da guerra como outra via para a obtenção de objetivos políticos.” A guerra não é nada mais do que a continuação da política por outros meios “, disse, porém sem apontar, em suas análises, que o genocídio seja um possível objetivo da guerra.
Unanimemente, os historiadores concordam com Clausewitz que o propósito da guerra é vencer o adversário militarmente e compeli-lo a executar a vontade do vencedor. Portanto, a guerra genocida corresponderia a um tipo especifico de embate, onde o que comanda a ação bélica é um tipo de ódio avassalador, cuja origem não é política. Efetivamente, esse tipo de ódio é de natureza cultural, e não política.”
Poderíamos, se for necessário, fundamentar este conceito em inúmeras citações, pois temos provas da ocorrência do crime, em Território Nacional, que dariam para sustentar está denúncia em quaisquer Tribunais do Planeta… Menos aqui, pois as “autoridades” não as aceitam. Também pudera, é que nós não temos mecanismos para forçar as tais “autoridades” a investigar e julgar os seus próprios crimes.
No ano de 2004, encaminhamos ao Superior Tribunal Federal, a mesma denúncia. E ficamos pasmos. Dias depois, o Tribunal nos devolveu a petição, sob a alegação de que “tinham alguns procedimentos”, e que deveríamos consultar o ADVOGADO. E o fizemos. E por uma questão de coerência, todos eles negros… Ou que pelo menos se dizem negros. E todos eles se negaram a atuar no caso. Sob as mais estapafúrdias desculpas. Alguns até alegaram que “tinham dívidas a pagar”. Aquele negócio, aos brancos eles pagam… A nós não! Por quê, dever nos devem, pois atualmente estão se locupletando às custas de nossas desgraças. Agora, todos eles são negros, porque tiram vantagens desta condição. Não obstante, o negro pobre continua à mercê de seus algozes.
O que sugerimos é que, a comunidade negra brasileira se mobilize e faça prevalecer o nosso Direito à Vida. Está que é um bem inalienável de TODOS os seres vivos do Planeta. Sem exceções.
Mas, voltamos a ressaltar, a violência policial é apenas uma ponta do iceberg. O grosso da operação está no atendimento – diga-se precário ou inexistente – médico no Sistema de Saúde Pública; no não acesso à Educação e suas nefastas conseqüências; no subemprego e no desemprego; e na falta de moradia… E vai por aí afora. O quadro geral é evidente, cruento e desolador. E não é necessária nem um pouco de boa-vontade para se enxergar o seu efeito devastador e entendê-lo.
A miscigenação, da maneira como ela é praticada no Brasil, ela é criminosa. Se ela ocorresse de maneira natural poderia ser considerado um ato de amor. No entanto, ela foi forçada e impingia. Não sobrou ao negro brasileiro alternativa, porque o relacionamento entre negro ainda é proibido, não importando ser de forma “disfarçada”., porém, nunca foi “sutil”, pois não existe “crime sutil”.
Por estes motivos é que nós do CRENJA estamos propondo a criação de um Memorial da Escravatura Negra nas Américas, pois o problema não é restrito apenas às fronteiras nacionais, e sim, de toda a Diáspora Negra nas Américas. E esta é uma forma de reconstruirmos nossa história, dentro de nossa perspectiva, e elucidarmos todas estas questões.
São Paulo, 7 de outubro de 2010.
O título original do artigo é “Campanha – Pelo cessar imediato do genocídio do Negro no Brasil”.

Neninho de Obalúwáiyé