S. Paulo – O senador Paulo Paim (PT-RS), que esteve em S. Paulo participando dos atos de lançamento da segunda etapa do Abaixo-Assinado em defesa do Estatuto da Igualdade Racial, na OAB e no Sindicato dos Comerciários de S. Paulo, denunciou a existência de um movimento articulado para que o projeto não seja votado. “Há um movimento articulado para que ele (o Estatuto) não seja votado. De forma silenciosa. Mas, nós somos muito resistentes. Sempre sobreviventes. Somos lutadores”, afirmou na OAB/SP, onde esteve abrindo a agenda da tarde proposta pelo Movimento Brasil Afirmativo.
O senador gaúcho disse, no entanto, que a votação do Estatuto – que está parado na Câmara desde 2.003, depois de ser aprovado pelo Senado – acabará acontecendo pela pressão da sociedade. “Se pressionarmos o Congresso Nacional vota. Sou um eterno otimista. Quem viverá verá. Ele será aprovado”, acrescentou, propondo que, na entrega das 100 mil assinaturas aconteça uma tomada do salão verde do Congresso por “tambores negros” pedindo a votação.
Paim foi recebido na OAB pelo presidente da CONAD, Marco Antonio Zito Alvarenga e por cerca de 100 advogados e ativistas negros e anti-racistas. Na mesa, o deputado Vicente Cândido, o presidente de honra do Congresso Nacional Afro-Brasileiro, Eduardo de Oliveira, e o Frei Leandro, da Rede Educafro.
Durante sua fala, em vários momentos se emocionou, lembrando heróis do povo negro como João Cândido, o líder da Revolta da Chibata, episódio como ficou conhecido na história do Brasil, a revolta dos marinheiros, no início do século XX, contra os castigos e maus-tratos a que eram submetidos. O momento maior de emoção aconteceu quando o senador gaúcho recitou trechos da letra da música “Mestre Sala dos Mares”, de Aldir Blanc.
Pela manhã, à convite dos deputados José Cândido e Vicente Cândido, da Frente da Igualdade Racial, Paim esteve na Assembléia Legislativa. O deputado José Cândido propôs que os participantes do encontro – líderes de diversos movimentos da comunidade negra – “se tornem porta-vozes, em suas regiões, para ampliar a repercussão do movimento de coleta de assinaturas”. Promotor do abaixo-assinado em São Paulo, o Movimento Brasil Afirmativo espera obter 100 mil assinaturas em todo o Estado. “É uma honra que, hoje, esse movimento tenha começado aqui na Assembléia”, disse Cândido.
Comerciários
O ato com maior presença e maior entusiasmo, no entanto, aconteceu no Sindicato dos Comerciários de S. Paulo, no Vale do Anhangabaú, onde o senador gaúcho foi recebido pelo presidente Ricardo Patah e mais de 200 pessoas. Patah, o primeiro falar, lembrou a mobilização dos comerciários em favor das cotas no mercado de trabalho conquistadas por meio de acordos coletivos assinados por empresas como as Camisarias Colombo, a Rede Marabrás e as Casas Bahia – e propôs a mobilização de todos em defesa de um Brasil com igualdade.
Por sua vez, Paim relatou as dificuldades e elogiou a mobilização popular iniciada em S. Paulo pelo Movimento Brasil Afirmativo – uma articulação de lideranças negras e anti-racistas que se organiza independente de Estado e dos Partidos. “Vou levar o exemplo de vocês para o Rio Grande, para a Bahia, onde eu estiver. São Paulo está dando o exemplo”, afirmou.
Paim ainda propôs que a entrega das assinaturas – que os organizadores pretendem que aconteça no final de julho ou início de agosto – seja feito uma tomada simbólica do salão verde do Congresso Nacional com “um rufar dos tambores” para pedir a votação do Estatuto.
O senador encerrou a agenda em S. Paulo com uma visita à Universidade Zumbi dos Palmares, na Barra Funda, onde foi recebido pelo reitor José Vicente e pela diretora professora Cristina Jorge.
Assine o Abaixo-Assinado do Movimento Brasil Afirmativo pelo Estatuto
http://www.PetitionOnline.com/afirmati/petition.html

Da Redacao