Califórnia – Com a execução de Stanley Tookie Williams, 51 anos, na madrugada desta quarta-feira, na Penitenciária de San Quentin, as autoridades do Estado americano da Califórnia confirmaram a regra: segundo um estudo sobre os homicídios na Califórnia entre 1990 e 1999, os assassinos de homens brancos tiveram quatro vezes mais chances de serem condenados à morte do que aqueles que mataram latino-americanos e três vezes mais que os responsáveis por assassinatos de afro-americanos.
Tookie Williams, condenado à pena capital em 1.981 por quatro assassinatos, cuja autoria sempre negou, foi um dos co-fundadores do Crips, uma gangue que aterrorizou Los Angeles na década de 70.
A execução foi por injeção letal e o carrasco demorou 12 minutos para encontrar a veia. William encarou a morte com impressionante sangue frio e dignidade. “Como, ainda não conseguiu?” brincou com o carrasco. Ele também recusou a última refeição. “Eu seria um louco se aceitasse uma última refeição de uma instituição que vai em seguida me matar”, disse.
Tookie Williams teve recusado o pedido de clemência pelo governador da Califórnia, o ex-astro de Hollywood Arnold Shwarzenegger.
Na prisão ele se converteu a Causa da Não-Violência e chegou a escrever uma auto-biografia e vários livros infanto-juvenis alertando os jovens para os perigos da delinqüência urbana. Por conta disso foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz.
Entre as 2 mil pessoas que estiveram na porta de San Quentin para protestar contra a execução estavam o pastor e líder negro Jesse Jackson e a cantora Joan Baez. “Essa morte, calculada, anti-séptica, eficiente e a sangue frio, reflete os padrões da moralidade e da alma de nosso país”, afirmou a cantora que se celebrizou na década de 60 pelas canções de protesto.
A execução provocou protestos em todo o mundo. Na França, o Partido Socialista, por meio de Julien Gray, disse que Shwarzenegger tem excesso de músculos e carência de cérebro. Líderes do Partido Verde na Alemanha,a qualificou de “covarde”. Na Áustria, terra do governador da Califórnia, o Partido Verde pediu ao Governo a cassação de sua nacionalidade e, em Graz, sua cidade natal, um grupo de ativistas cristãos propôs que o estádio que leva o seu nome passe a se chamar Stanley Tookie Wlliams.
O reverendo Jesse Jackson contou que a última recomendação de Tookie Williams foi. “Não devemos chorar. Precisamos demonstrar que somos fortes”.

Da Redacao