Brasília – A pena de morte já existe no Brasil para a população pobre e negra, disse o ativista Edson Cardoso, mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília, ao falar no Seminário “A Justiça e a Promoção da Igualdade Racial”, promovido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Ele revelou que ocorrem anualmente uma média de 14 mil assassinatos no Brasil, sendo que a imensa maioria dos mortos são jovens negros e pobres. “E a sociedade simplesmente prefere fechar os olhos”.
O Seminário foi aberto na quinta-feira e terminou anteontem pelo ministro Edson Vidigal, presidente do Superior Tribunal de Justiça. Vidigal disse, na abertura que uma sociedade que não combate à desigualdade e a
discriminação comete, pelo menos, duas grandes tolices. “Uma social e outra econômica. Social, porque, num lugar onde pessoas são tidas como de segunda classe, jamais haverá harmonia e paz social. A econômica porque parte dos cidadãos fica à margem do setor produtivo, não participa efetivamente da geração de riquezas nem dos benefícios dela. Isto é, quanto mais pessoas forem incluídas na geração de riqueza de um país, mais próspero ele será”, acrescentou.
Para Cardoso, a Marcha Zumbi + 10 realizada por milhares de negros e negras que ocuparam, no dia 16/11, a Esplanada até serem recebidos pelo Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva, representou o resgate da história porque a população negra nunca foi mostrada com a sua real importância na história do Brasil. “Tivemos um evento de grande dimensão humana, quando pessoas preferiram lutar até a morte a voltar para a
escravidão”, destacou, referindo-se a luta de resistência em Palmares.
Ele acrescentou que a manifestação do dia 16/11 poderá trazer muitos resultados positivos e aproveitou para criticar duramente a forma como os manifestantes, que foram a Brasília em caravanas de todo o país, foram tratados.”O governo Lula, depois de todas as esperanças depositadas nele, não tem uma política para negros”, afirmou.
Apesar disso, Cardoso, que é coordenador editorial do Jornal Irohin (A Notícia, no idioma yorubá), elogiou a disposição de Lula para o diálogo, ao receber os manifestantes e se propor discutir as reivindicações apresentadas.

Da Redacao