Caros Leitores de Afropress,

Gostaria de falar sobre uma batalha que antes era silenciosa e hoje se faz cada vez mais barulhenta, invasiva e truculenta, infelizmente. Pois já no terceiro milênio o homem ainda não consegue conviver com as diferenças, ou seja com o plural, e assim persegue, caça e maltrata  aqueles que eles não podem chamar de pares, pois tal mente, não tem a mínima capacidade de agregar e sim de fracionar, etiquetar e destruir.

Falo do que ocorre em todo o Brasil, que é a perseguição a cultura Afrodescendente, na qual, toda a batucada, todo o ritmo, toda a percussão, aos olhos deles, se trata de influência demoníaca. Por incrível que pareça, um ritmo mais africano suscita neles uma motivação para a sua Jihad Evangélica, com toda a sua influência judaico-cristã, tentando banir todo o legado trazido pelos africanos, povo que em muito contribuiu com a formação desta nação.

O que mais me deixa constrangido é que em muitas vezes, esta perseguição tem arautos afrodescendentes que abraçam por completo a teoria do embranquecimento, esquecendo-se por completo que seus pais, seus avós seus tataravós, não eram de forma alguma o retrato do demônio.

Nesta coluna, anteriormente, pude falar de alguns ritmos brasileiros trazidos da África;. Hoje tais ritmos não são o que eram em sua origem, pois deixaram de ser africanos e hoje são brasileiros, embora a raiz seja a mesma.

O maior exemplo disso é o Samba que, na África tinha o nome de Semba, cujo o acento rítmico difere um pouco do acento rítmico de seu filho brasileiro (Samba).

Gostaria que estivéssemos atentos para esta transformação social que está tomando conta do país, querendo nos dizer o que ouvir, como viver, e gritando em nossos olhos a supremacia de sua cultura sobre a dos Afrodescendentes, tendo sempre em mente que a liberdade religiosa, assim como a liberdade de expressão, faz parte da Carta Magna desta Nação.

A Idade Média , está logo ali!!!

Rio, 04/03/2013

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Jorge Ramos