Olá, leitores de Afropress,

Quero falar hoje sobre a tendência musical imposta aos afro-descendentes pelo sistema.

Antes de tudo quero lembrar-lhes que antes de sermos Afro-descendentes, somos seres humanos, e como tal temos direito a todo o acervo histórico, artístico, cultural, educacional, tecnológico, etc, produzido pela raça humana. Sendo assim, não temos em momento algum, que  ficarmos reclusos ao desenvolvimento proporcionado a uma faixa da sociedade.

Se assim fosse, não utilizaríamos o fogão e muito menos a geladeira, televisão, computadores e outros utensílios que em muito facilitam nossa vida no que tange ao dia-dia.

Para o sistema, que dita as regras e a conduta social, é importante que se formem guetos, proporcionando assim a facilidade de  nos rotular, e controlar nossas ações, nas relações com o nosso trabalho, nossos irmãos, nossas relações interpessoais e até mesmo nossa relação da gente com a gente, ou seja a relação existente, quando você avalia o que é você, quem é você, e o que  você pretende de você, com o intuito de sempre nos colocar abaixo e assim detonar a nossa auto-estima, que é mais uma forma perversa de  dominação.

Digo isto que com esta forma de pensamento, planta-se nos afro-descendentes, diga-se de passagem , desde o ventre materno, que as únicas formas de artes musicais que lhe são aceitas gostar, é o samba, o funk (proibidão) e o rap; que estas são as únicas formas musicais que ele pode se expressar, que a  ele, só se permite a aprender instrumentos de percussão, ou aqueles que são chamados instrumentos populares, formando assim uma sonoridade do gueto e, é claro, aquele que sai desta órbita, deixa de ser bem visto pelos habitantes do gueto, como também pelos que não habitam nele, como se fosse um peixe fora d’água, ou coisa parecida, extirpando assim, ou diminuindo a capacidade de abstração do ser.

Seria bom, não fecharmos que “Negro toca ou canta samba, rap, funk e ponto final”, e sim, abrirmos nossas mentes para outras possibilidades artísticas buscando a plenitude do ser.           

Navio Negreiro – novo cd de Jorge Ramos, informações:

 

Maestro Jorge Ramos – Tel 21 73768767 – E-mail: [email protected] – site: http://maestrojorgeramos.wix.com/mjr

 

Jorge Ramos