Observar os acontecimentos nos Estados Unidos, onde me encontrava em viagem na cidade de Washington, vizinho a Baltimore, epicentro das manifestações antirracista, vivenciar depois protestos em Nova York e, assistir de lá, pela TV, o massacre de professores em Curitiba, fizerem-me refletir que não basta hoje estar em Washington ou em Curitiba considerada exemplo de modelo de primeiro mundo. O distanciamento entre ricos e pobres, tem potencializado conflitos em qualquer território.

Os abismos econômicos e sociais não distinguem mais Europa de África, superpotência ou país em desenvolvimento. Vide os barcos abarrotados de africanos náufragos tentando desembarcar na Itália.  O que estamos vivenciando é uma periferização do Planeta onde mazelas sociais tem sido equivalentes em todos os cantos.

Algo que décadas atrás era visto como conflitos tipicamente de países “periféricos”, explosão de protestos, interpretado pela grande mídia como “vandalismo”, na verdade são sinais de um novo tempo em que, a rapidez de imagens não aponta o centro do problema que é uma crise mundial, fundamentalmente, econômica e social remodelando alguns e reforçando outros valores tradicionais e conservadores.

O apodrecimento de um modelo econômico forjado há mais de um século estruturado em duas vertentes, capital e exploração do trabalho, não conseguem se adaptar ao cenário do século 21, onde automação substituindo a força de trabalho por meios tecnológicos, e o capital retroalimentando de si mesmo no “antro” do mercado financeiro, se desvincula cada vez mais da produção e, por conseguinte do desenvolvimento econômico e humano das massas trabalhadoras que, se vêem cada vez mais alijada de direitos.

 Não há mais fronteiras para essa realidade, seja nos países pobres ou ricos. As indignações a despeito das gritantes desigualdades em ricos e pobres, brancos e negros acontecem em todos os lugares o tempo todo em nosso tempo. Um novo modelo, a que surgir, pois, se não, Babilônia, deixará de ser apenas título de novela ou de uma cidade esquecida na historia e se instituirá como uma realidade global.

 

 

Maurício Pestana