Brasília – Pesquisa divulgada esta semana pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), órgão do Ministério do Planejamento do Governo, desmonta o argumento dos que defendem cotas sociais, ao invés de raciais, como política reparatória: na parcela dos 10% mais pobres da população brasileira, 71% são negros.
A pesquisa, Retrato das Desigualdades, em sua segunda edição, teve o apoio do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem) também mostra que, enquanto sobra pobreza na pirâmide, rareia o percentual de negros entre os 10% mais ricos da população: eles são apenas 18%: “Há um embranquecimento da população conforme se sobre na pirâmide social”, afirmou Luana Pinheiro, coordenadora da pesquisa.
As diferenças, em desvantagem para a população negra também aparecem no nível de escolaridade e no acesso à educação, saúde, previdência, trabalho, habitação e saneamento para homens e mulheres, negros e brancos, das zonas rural e urbana, e baseou-se em dados coletados entre 1993 e 2.004 pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE.
Segundo a coordenadora do trabalho, chama atenção o fato de que, apesar das melhoras em quase todos os grupos, em relação ao primeiro levantamento, “as diferenças entre eles se mantêm”.
O Retrato das Desigualdades também confirma outro dado que aparece em todos os indicadores: o grupo que mais sofre com a discriminação e o racismo, são as mulheres negras. Elas têm menos escolaridade, menos acesso a cuidados para saúde, demoram mais para conseguir trabalho, quando conseguem trabalham mais tempo e têm pior remuneração.
(Por exemplo, na questão do acesso à saúde, 44,5% das mulheres negras nunca haviam realizado exame clínico de mamas, em 2.004; entre as mulheres brancas pobre, o percentual era de 27%). Cerca de 20% da população negra nunca passou por consultas odontológicas. Entre a população branca esse percentual era de 12%.

Da Redacao