S. Paulo – Estudo divulgado pelo IBMEC São Paulo, com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), do IBGE relativos ao período entre 1.995 e 2.004, confirma o que outros levantamentos já apontam há anos: a mulher negra ocupa a base da pirâmide social, com salário médio mensal de R$ 533,58, contra R$ 827,89 recebido por mulheres brancas.
A divulgação do estudo em matéria de meia página pelo Jornal Folha de S. Paulo, também revela como uma parte da grande mídia se especializou em esconder os indicadores do racismo ou minimizar o seu significado. Na matéria que tem como título “Desvantagem da mulher cresce com escolarização”, edição da véspera do Dia Internacional da Mulher, relaciona uma série de números para indicar a desvantagem feminina provocada pela discriminação de gênero, porém, esconde a diferença da mulher negra em relação à mulher branca, e do homem negro em relação ao homem branco, e destes em relação aos orientais.
Em apenas um parágrafo, escondido no meio da matéria, a jornalista Cláudia Rolli conta: “O problema é maior entre mulheres e homens brancos do que em relação aos trabalhadores negros. A diferença nos rendimentos foi, respectivamente, de 22,94 e 1,93%”, acrescentando a fala da professora de economia Regina Madalozzo, do IBMEC. “Nesse caso, a discriminação da cor se sobrepõe à do sexo”.
No quadro que ilustra a matéria a comparação da Diferença Salarial raça/cor aparece em linhas estanques: brancos – homens e mulheres; pretos/pardos – homens e mulheres; amarelos; homens e mulheres. Ou seja: não se calcula as diferenças percentuais entre os salários de homens negros e não negros; mulheres negras e mulheres não negras.
O quadro mostra que as mulheres e homens orientais têm rendimentos mensais superiores, inclusive aos homens e mulheres brancas: homens ganham R$ 1.999,84 e as mulheres 1.352,94.
O Estudo também mostra que o menor rendimento das mulheres em relação aos homens não está relacionado ao tempo de estudo, mas sim ao machismo: mulheres com especialização ou pós-graduação recebem 37% a menos do que homens que desempenham a mesma função e têm a mesma escolaridade. Na faixa de mulheres mais qualificadas, entre 41 e 50 anos, a diferença sobe: 39,22%.
* A foto da capa é de Maria Mulher – Organização de Mulheres Negras de Porto Alegre, através da qual a Redação de Afropress celebra a luta de todas as mulheres brasileiras.

Da Redacao