Brasília – Pesquisa inédita da Fundação de Pesquisas Econômicas (Fipe), patrocinada pelo Ministério da Educação, expõe com toda a nitidez que a Escola se tornou o lugar privilegiado para o aprendizado do racismo e da violência contra negros.
Segundo o levantamento, 94,2% dos entrevistas, entre alunos, pais de estudantes e funcionários de unidades municipais, estaduais e federais de ensino do país, alimentam preconceitos contra negros e outras etnias.
Entre as 18.600 pessoas ouvidas, 96,5% admitiram preconceito contra pessoas com deficiência, e 87,3% disseram evitar pessoas em virtude da orientação sexual.
A pesquisa mostrou ainda que, por meio das crenças, valores e atitudes, o preconceito contra negros é uma constante nas salas de aula. Os pequisadores sortearam 500 escolas públicas do país, incluindo as localizadas em regiões rurais.
Alimentando o racismo
Além de uma parcela de pais, diretores de escolas, professores e funcionários das instituições de ensino, foram entrevistados cerca de 15 mil alunos, com idades a partir dos 14 anos.
Os resultados não deixam dúvidas quanto ao fato de o ambiente escolar ser lugar privilegiado da cultura de discriminação que atinge 49,7% da população negra brasileira. Além de alimentar o preconceito – uma visão negativa de negros – os entrevistados admitiram evitar contato com as vítimas. Os negros – bem como os demais segmentos discriminados – são excluídos em brincadeiras, no recreio ou até em trabalhos na sala de aula e, por isso, a socialização entre todos é prejudicada.
As unidades que apresentaram índice de discriminação mais elevado mostraram também aproveitamento escolar mais baixo.
Uma face assustadora da pesquisa revela que 19% dos entrevistados responderam já terem visto algum aluno negro sendo humilhado ou agredido fisicamente simplesmente em função da cor da pele. Já 18,2% responderam o mesmo em relação aos estudantes pobres e 17,4%, aos homossexuais.
RETRATO DA VERGONHA
(Natureza do preconceito % dos que assumem preconceito)
Geral – 99,3%
Quanto a deficiência – 96,5%
Racial – 94,2%
De gênero – 93,5%
Entre gerações – 91%
Socioeconômica – 87,5%
De orientação sexual – 87,3%
Relativo ao local de moradia – 75,9%
Fonte: Jornal Recomeço/MG – Glória Reis/FIPE – Fundação de Pesquisas Econômicas

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