Brasília – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE revela que, apesar de manterem uma cota de quase 100% no mercado de trabalho, nas melhores universidades e nos espaços de poder – os brancos no Brasil já são minoria em relação à população não branca que corresponde a 50,3% do povo brasileiro. A população não branca é formada, na sua quase totalidade por negros (49,5%), amarelos e indígenas. Cerca de 49,7% se autodeclara branca.
A pesquisa feita em 145,5 mil domicílios de todo o país, constatou que 1,34 milhão de pessoas a mais se declararam de cor preta em 2.006 em relação ao ano anterior. Os brasileiros que se declararam de cor preta eram 6,3% em 2005, e hoje representam 6,9% da população. Por outro lado, os pardos atingem 42,6%.
O IBGE considerada negros a soma de pretos e pardos. O critério é autodeclaratório e inclui, além de brancos, pretos e pardos, amarelos (orientais) e indígenas. Segundo o professor Marcelo Paixão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Observatório Afro-Brasileiro, “os dados representam uma mudança de percepção da população” e “constituem uma resposta”.
O aumento do percentual da população negra ocorreu nas regiões Norte (3,8% para 6,2%), Nordeste (7,0% para 7,8%) e Sudeste (7,2% para 7,7%). Nessas regiões, o crescimento da população que se auto-definiu de cor preta foi acompanhado pela redução de pardos. No Norte ela passou de 71,5%, em 2005, para 69,2%, em 2006; no Nordeste, de 63,1% para 62,5% e no Sudeste foi para 32,5% após corresponder a 33,4% em 2005. As demais regiões não apresentaram alterações em relação à cor ou raça.
Segundo ativistas e pesquisadores negros, o aumento do número de pessoas que se autodeclara preta e não mais parda reflete o impacto das ações afirmativas e da luta por igualdade racial. Muitas pessoas que se auto-declaravam pardas, em verdade buscavam escapar dos efeitos do racismo, e agora resolveram assumir sua verdaeira identidade racial. O cantor Martinho da Vila disse que, de uma certa forma, os pardos resolveram “sair do armário”.
Branqueamento
A Pesquisa também revela o fracasso das políticas de branqueamento adotadas, especialmente, no início do século passado, quando o Estado defendeu a Eugenia (higiene racial) na Constituição de 1934 e fez constar no decreto 7.967 de 1.946, que a admissão de imigrantes se daria “em conformidade com a necessidade de preservar e desenvolver o Brasil na composição de sua ascendência européia”.
Em 1.911, o delegado brasileiro ao Congresso Universal de Raças, realizado em Londres, João Batista de Lacerda, que ocupava o cargo de diretor do Museu Nacional, chegou a fazer a seguinte profecia: até 2.011, não haveria mais negros no Brasil, com o branqueamento de toda a população. Fracassou.

Da Redacao