Indígenas huaorani da província de Orellana, no Equador, em plena selva amazônica realizam hoje marcha até a Presidência da República, em Quito, para protestar contra a Petrobrás. A caravana de indígenas para a Marcha começou a chegar a Quito no domingo para um encontro com Luis Macas, presidente da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie).
A Marcha terminará no Palácio Carondelet, sede do Governo equatoriano, no centro colonial e tem como objetivo expressar o descontentamento com as operações que estão sendo feitas pela Petrobrás em Orellana. ” A Petrobrás está afetando a selva, o Parque Nacional Yasuní, território dos huaorani”, disse José Luis Bedón, porta-voz da Confederação.
Da marcha de protesto participarão povos indígenas das províncias andinas de Imbabura (norte) e Cotopaxi (sul). Está prevista a entrega de uma carta dos povos indígenas ao Presidente da República Alfredo Palácio. Os indígenas também se reunirão com membros da Comissão de Assuntos Indígenas do Congresso equatoriano.
Há duas semanas, os huaraoni anunciaram o rompimento de um acordo com a Petrobrás que garantia a empresa brasileira o direito de operar na região de Orellana, na qual a espanhola Repsol-YPF também explora óleo cru. Pelo acordo a Petrobrás se obrigava a financiar projetos de desenvolvimento e assistência social para os huaraoni no valor de US$ 200 mil anuais.
Para os huaorani, os acordos entre o Estado equatoriano e a Petrobras foram feitos sem que as populações afetadas fossem consultadas e temem que a construção da estrada destrua seu território.
A ruptura do acordo huaorani com a Petrobras responde à pressão exercida pelas mulheres indígenas, que querem manter o território onde obtém seus alimentos livres de contaminação, segundo Alicia Cahuiya, presidente da Associação de Mulheres Huaorani, que afirma que os rios próximos às comunidades estão contaminados.
“Isto só leva à destruição da floresta, extinção dos animais selvagens e imposição de maus costumes ocidentais como o alcoolismo e a prostituição”, afirmou.
“O povo huaorani está decidido a não aceitar mais a exploração petrolífera em seu território devido aos fortes impactos que a população tem sofrido”, declarou, por sua vez, Bedón.

Da Redacao