Rio – O Ministério Público do Trabalho do Rio já está estudando a representação impetrada pelos advogados Humberto Adami e Aderson Bussinger Carvalho, para apurar práticas de discriminação racial nos processos de seleção da Petrobrás e da Shell.
A representação foi protocolada em nome do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara), Sindicato Unificado dos Trabalhadores Petroleiros Petroquímicos e Plásticos dos Estados de Alagoas e Sergipe e foi recebida pelo procurador chefe da 1ª Região (Rio de Janeiro), Márcio Vieira Alves Faria e pelas procuradoras do Trabalho Juliane Mombelli, Maria Julieta Tepedino de Bragança e Lisyane Chaves Mota.
A denúncia será distribuída nas demais regionais do Ministério Público do Trabalho e também foi apresentada ao Ministério Público Federal no Rio de Janeiro.
Segundo a representação, na Petrobrás, dos 53.933 funcionários, 2.339 são afro-brasileiros, e apenas 3,1% ocupa cargos de chefia. Na Shell, dos 1.657 empregados, 34 são negros e nenhum
exerce cargo de chefia.
Os dados se referem ao ano de 2.005 e podem ser comprovados no Balanço Social da Petrobrás. Além da representação, Adami pediu a instauração de inquérito civil público para apurar o caso.
“A importância das maiores empresas do País que lucram através da exploração dos nossos recursos naturais é fundamental para que se tornem exemplos para as demais instituições. Através dos balanços sociais publicados pela Petrobras e pela Shell Brasil se pode concluir que, embora a primeira tenha apoiado projetos pela promoção da igualdade racial, ambas as companhias possuem a mesma anomalia no seu interior, que acaba contradizendo essas ações divulgadas massivamente”, concluiu Adami.

Da Redacao