Rio – O Plano de Desenvolvimento da Educação apresentado pelo ministro Fernando Haddad recentemente (PDE) ignorou a população negra. Quem denuncia é Alexandre do Nascimento, líder fundador do PVNC – Pré-Vestibular para Negros e Carentes – rede com mais de 25 cursinhos pré-vestibulares, com sede no Rio.
“Não houve diálogo com o movimento negro”, afirmou Alexandre, acrescentando que nem mesmo a Comissão Assessora de Diversidade para Assuntos Relacionados aos Afrodescendentes (Cadara), um espaço de diálogo com o MEC para essas questões, foi chamada. “Em nenhum momento essa Comissão foi consultada, nem convidada a participar de reuniões. Nem os educadores negros foram consultados”, acrescentou.
Segundo Alexandre a ausência do diálogo é um reflexo do que já foi possível observar na campanha eleitoral num encontro com educadores. “No total, estavam presentes cerca de 60, porém, nenhum educador negro foi chamado a falar. E isso só aconteceu, aliás, eu próprio acabei falando, quando todos já estavam indo embora, devido o mal estar que se criou. Esse início de Governo está esquisito”, acrescentou.
Segundo Alexandre, a mesma inércia em relação ao tratamento das questões que interessam à população negra, pode ser notada na discussão da reforma universitária. “A questão das cotas não aparece. A reforma está parada”, concluiu.
O Plano
O Plano de Desenvolvimento da Educação quer estabelecer sistemas de metas, de avaliação e de cobrança de resultados nas escolas de todo o País. Estão previstos R$ 8 bilhões em investimentos até 2010, para viabilizar o PDE – R$ 1 bilhão em seu primeiro ano, apenas no programa de metas. Uma parte desses recursos para 2007 – cerca de R$ 600 milhões – já está garantida. O restante está ainda em negociação com a equipe econômica, mas com apoio do presidente.
O objetivo anunciado é superar os resultados sofríveis apresentados nas últimas décadas pela educação brasileira, que criaram uma geração de crianças e jovens – na sua imensa maioria negras – que estudam mas não aprendem, abandonam a escola e engordam a legião de adultos com baixa escolaridade no País.

Da Redacao