S. Paulo – Embora presos por determinação do Tribunal de Justiça Militar de S. Paulo, acusados da morte do motoboy negro, Eduardo Luis Pinheiro dos Santos, os 12 policiais envolvidos no caso – um sargento, uma tenente e 10 soldados – não tiveram até o momento seus nomes revelados pela corporação.
A Afropress solicitou ao Comando da PM de S. Paulo, explicações sobre as razões pelas quais os nomes dos envolvidos – apontados pelo próprio Secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto – como responsáveis pela morte do motoboy sob tortura, são mantidos em sigilo.
Nota da PM
Em Nota, a Seção de Comunicação Social da Polícia Militar, justificou. “Durante a condução do inquérito policial, a autoridade policial, conforme seu poder discricionário de buscar a verdade real dos fatos, deve garantir a integridade do investigado, resguardando-se o seu estado de inocência. Muitas vezes, o próprio inquérito policial pode concluir pela inocência, ou ainda, falta de provas de autoria em desfavor do investigado”, afirma.
“Por isso, a autoridade responsável pela presidência das investigações deverá, sempre, manter o sigilo necessário dos autos, uma vez que, a divulgação precipitada de fatos ainda sendo investigados poderá ser prejudicial à sua completa elucidação”, conclui a Nota da PM.
O Inquérito neste caso, contudo, não corre em segredo de Justiça e as evidências de que os acusados foram os responsáveis pela morte foram tornadas públicas pelo próprio Secretário de Segurança de S. Paulo. “Não temos dúvida alguma de que ele sofreu tortura, e que foi a tortura que levou o rapaz a óbito”, disse o Secretário, acrescentando que as investigações do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) apontam que a cena da morte na rua foi “montada” pelos policiais.
Tortura e morte
O motoboy foi morto, após ser torturado no dia 09 de abril passado, num quartel da PM, no bairro da Casa Verde, Zona Norte de S. Paulo. Seu corpo foi encontrado dias depois pela família já no IML, depois de ter sido deixado na rua e levado ao Pronto Socorro onde já chegou morto, com traumatismo craniano e hemorragia interna, provocada pelos espancamentos.
A mãe do rapaz, a pedagoga Elza Pinheiro dos Santos, 62 anos, disse, em entrevista ao Jornal Folha de S. Paulo, que ele foi morto por ser negro.
O governador Alberto Goldman, preocupado com a repercussão do caso na campanha do PSDB à presidência, determinou que a família do rapaz seja imediatamente indenizada. Criou, para isso, uma Grupo de Trabalho que deverá determinar o valor a ser pago.

Da Redacao