Rio – Os dois policiais militares que socorrerram o coordenador social do grupo cultural Afroreggae, Evandro João da Silva, 42 anos (foto), chegaram a prender para, em seguida, liberar os suspeitos da morte, segundo mostram as imagens captadas pelo circuito de segurança de um banco próximo à Rua do Ouvidor, onde Silva foi baleado após resistir a um assalto.

As câmeras mostram que dois homens foram detidos pelos PMs, porém, em seguida são liberados. A PM informou nesta quinta-feira (22/10) que os policiais cumprem prisão disciplinar no Rio. O crime ocorreu na madrugada do último domingo (18/10). Segundo José Júnior, coordenador-executivo do AfroReggae, uma das câmeras registrou o momento exato em que ocorreu o assalto.

Ao ser abordado, Silva reagiu, tentou dominar os ladrões e acabou levando um tiro de revólver calibre 38 na barriga. Minutos depois, um carro da Polícia Militar passou pelo local, mas os policiais não prestaram socorro. Em seguida, outros PMs detiveram os dois homens que haviam praticado o crime e que ainda estavam próximos ao local do assalto. As imagens mostram que um PM recolheu o tênis e a jaqueta que haviam sido roubados de Silva. Depois, um dos assaltantes é liberado. O outro continua detido pela dupla, mas depois some das imagens.

A assessoria de imprensa da PM informou, em Nota, que o comandante da corporação determinou apuração rigorosa por parte do 13º Batalhão do “provável desvio de conduta de dois policiais militares". "A comandante do Batalhão instaurou um procedimento apuratório, convocando imediatamente os policiais. Um estava de folga e o outro, de serviço. Os dois prestaram depoimento e estão presos disciplinarmente no Batalhão. As imagens completas, sem edição, ainda serão enviadas para a Corporação para instruir a apuração", informou a nota.

Crime

O coordenador social do Grupo Afroreggae, foi morto na esquina das ruas do Ouvidor e do Carmo, quando seguia para uma casa noturna. Antes de liberar os ladrões, um dos PMs recolheu o tênis e a jaqueta que haviam sido roubados de Silva. As peças não foram devolvidas para a família da vítima. Silva atuava no AfroReggae havia cerca de dez anos. Começou como professor de informática. Depois foi coordenador de núcleo do grupo e então se tornou coordenador social. Ele dirigia projetos sociais em favelas e presídios do Rio de Janeiro e cursava a faculdade de pedagogia da Universidade Estácio de Sá, também no Rio. Ele foi enterrado no domingo, no cemitério São Francisco Xavier, no Caju (na zona norte).

Da Redacao