Belo Horizonte – O Comando Geral da Polícia Militar de Minas já encaminhou ao prefeito Fernando Pimentel, documento em que se queixa de preconceito contra a Corporação, no livro “Violência Histórica”, distribuído para as bibliotecas da rede por meio da Secretaria de Educação.
O livro, do cartunista Maurício Pestana, conta a vida de um jovem negro que morre em uma favela baleado pela Polícia e mostra na ilustração da capa um rapaz caído com tiros na testa esvaindo-se em sangue. Uma pessoa fardada com um coturno pisa sobre o corpo.
Foi lançado em 2.004 com uma tiragem inicial de 3 mil exemplares e tem distribuição, inclusive, na Europa e Estados Unidos. “No Brasil quem está morrendo, vitíma de extermínio são os negros. Se tiverem que censurar o meu livro terão que censurar todos os jornais, as pesquisas, todo mundo. Esta é a realidade do país”, afirmou Pestana à Afropress.
O tenente-coronel Alexandre Salles, chefe do setor de Comunicação organizacional da PM, disse que a PM mineira se sentiu ofendida e explicou assim a atitude: “Respeitamos muito a autonomia da prefeitura na gestão do ensino de Belo Horizonte. Mas nos sentimos na obrigação de contribuir, mostrando essa distorção do trabalho policial, não condizente com a realidade”. Segundo ele, a abordagem histórica é coerente quanto à escravidão, mas não na atualidade.
A Secretaria Municipal de Educação não recebeu, até o momento, nenhuma denúncia formal sobre o livro. De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, a violência dos órgãos de segurança pública abordada pelo autor retrata a realidade das relações raciais no Brasil e o racismo que se manifesta em amplos setores da sociedade como escola, mídia, mercado de trabalho, segurança pública.
Ainda conforme a assessoria, estudos e pesquisas comprovam que jovens negros e moradores de periferia sofrem com a violência policial.
“É preciso analisar na perspectiva mais ampla do racismo institucional e não apenas de indivíduos isoladamente. Se admitirmos que o Brasil é um país racista, temos que considerar que esse racismo é reproduzido por diversas instituições, inclusive pela polícia”, afirmou a Secretaria em nota à Imprensa.
Segundo a Secretaria, a intenção do livro é promover a discussão do racismo de forma ampla e aprofundada e apontar caminhos para a construção de uma sociedade sem racismo.

Da Redacao