S. Paulo – Duas turmas de altos oficiais da PM e delegados de primeira classe da Polícia Civil de S. Paulo, concluíram ontem (07/10) as aulas de um módulo sobre Discriminação Racial e Ações Afirmativas, dos Cursos Superior de Polícia e Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais ministrado pelo ativista e militante histórico do Movimento Negro, Antonio Carlos Arruda, ex-presidente do Conselho da Comunidade Negra do Estado.
Divididos em duas turmas – uma de oficiais, policiais militares, majores, tenentes coronéis e delegados da Polícia Civil de Primeira Classe do Curso Superior de Polícia, e outra de capitães do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais – os 65 oficiais de alta patente ouviram palestras de militantes e ativistas do Movimento Negro e anti-racista e participaram dos debates.
Arruda, que é professor de Direito Constitucional da Escola de Pós-Graduação da Polícia Militar, considerou a experiência muito positiva e destacou a importância e o pioneirismo da iniciativa. “O sentimento democrático do Comando Geral da Polícia Militar e a busca de aperfeiçoamento dos profissionais e da instituição promovidos pelo Coronel Adauto (Luiz Silva) do Centro de Aperfeiçoamento e Estudos Superiores “Cel PM Nelson Freire Terra” é que permitiram a implantação e a realização, com sucesso, do Curso de Discriminação Racial e Ações Afirmativas”, afirmou.
Ele também destacou a sensibilidade do Coronel Elizeu Éclair Teixeira Borges, comandante geral da Corporação e disse que a experiência vai repercutir, em pouco tempo, em toda a PM de S. Paulo. “No prazo de três a cinco anos todos os comandantes da PM de S. Paulo terão passado por esse curso”, afirmou.
A aula de ontem, que marcou o encerramento do módulo, contou com a presença dos jornalistas Flávio Carrança, da Comissão dos Jornalistas pela Igualdade Racial de S. Paulo (Cojira) e de Dojival Vieira, da Afropress, que falaram sobre a invisibilidade do negro na mídia, além do Babalorixá Francisco da Osun, que denunciou as perseguições e o desrespeito sofridos pelas religiões de matriz africana. “Vivemos em um Estado laico, porém, continuamos sendo perseguidos por termos como adotarmos o culto às religiões de nossos ancestrais”, afirmou pai Francisco.
O debate não se restringiu ao racismo que atinge predominantemente a população negra. Arruda também convidou representantes das comunidades judaica, árabe, armênia e de ciganos. Pela iniciativa ele foi homenageado, ao final, com uma placa de prata por Farde Estephanovichil, presidente da Associação de Preservação da Cultura Cigana de São Paulo (APRECE).

Da Redacao