Rio – O Comando do 14º Batalhão da Polícia Militar, em Bangu, ainda não apresentou para prestar depoimento ao delegado Átila Mesquitta, do 33º DP, o policial militar conhecido como Siba, que na madrugada do feriado de 21/abri, segunda-feira, espancou, sem qualquer motivo, no subúrbio de Magalhães Bastos, zona Oeste do Rio, o músico Júlio Pereira Júnior, o DJ Magic Jr., do Grupo Afroreggae.
O DJ saia de um encontro de DJ’s, quando foi parado por um policial à paisana que mora no mesmo bairro. “Como sempre, ando com aquele estilo hip hop e ainda com uma touca da Conduta. Ele parou com o carro e me perguntou se eu era maluco e eu disse: mas, porque maluco? E ele disse então:”Beleza, você não é maluco”.
Agressão gratuita
O policial voltou ao carro que dirigia e seguiu, o mesmo ocorrendo com Júlio, que parou a uns 500 metros adiante em uma barraca de cachorro quente para comer um hamburger. “Logo, quando eu chego lá, eu encontro ele de novo na mesma barraca. E ele me olhou e disse: “Seu FDP, você está me escolando, é? E aí ele deu sua arma para um cara que estava com e começou a me espancar”, contou.
Resultado: o DJ foi submetido a uma sessão de espancamentos com socos e pontapés por todo o corpo e ficou com o rosto todo marcado e com o olho completamente roxo. O líder do Afroreggae, José Jr. foi informado do acontecido e disse que vai cobrar explicações das autoridades.
Genocídio
Segundo o jornalista e editor da Agência Mamapress, Marcos Romão, quando fez tourné pela Alemanha, o Afroreggae contribuiu para que a Polícia de Hannover compreendesse melhor o estilo hip hop e ensinou que mesmo os “malucos” podem lutar contra a violência de que são vítimas.
Romão, que vive há anos na Alemanha, pediu que a denúncia deste caso saia para fora do país e se amplie na Europa, com a tradução da notícia para o alemão, francês, inglês, espanho e italiano para que o mundo saiba do genocídio que se pratica no Brasil contra a juventude negra. “Estou ficando velho a cada dia e estou cansado de segurar as alças virtuais de caixões com defuntos reais de mortos já antes anunciados”, afirmou.

Da Redacao